Presidente dos EUA afirma que é preciso “consertar o país primeiro” e endossa governo interino de Delcy Rodríguez, aliada de Maduro.
Em declarações que aprofundam a incerteza sobre o futuro político da Venezuela, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a realização de novas eleições no país nos próximos 30 dias. A posição foi dada em entrevista por telefone à NBC News nesta segunda-feira (05/01), dois dias após o sequestro do ex-presidente Nicolás Maduro por forças dos EUA.
“Temos que consertar o país primeiro. Não dá para fazer eleições. Não há como o povo votar”, afirmou Trump, descartando um dos caminhos previstos na Constituição venezuelana para situações de “ausência absoluta” do mandatário.
Além de adiar o pleito, Trump explicitamente negou apoio à líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, para guiar a transição. “Ela é uma mulher muito simpática”, disse, repetindo avaliações anteriores, “mas não tem o ‘apoio’ ou o ‘respeito’ necessários para governar o país”.
Governo interino chavista no comando
Quem assumiu formalmente a liderança do país foi a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, uma histórica figura do chavismo, empossada como presidente interina. Em sua cerimônia de posse, Rodríguez esteve acompanhada de figuras-chave do antigo regime, como o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello – este último, associado à repressão dos protestos de 2024.
Trump sinalizou abertura ao novo governo interino. Sobre Rodríguez, declarou: “Tenho a sensação de que está cooperando… e de que ama seu país e quer que seu país sobreviva”. Ele afirmou que a vice está colaborando com autoridades americanas, mas negou qualquer contato prévio com ela antes da operação que capturou Maduro.
No sábado, Trump havia declarado que os EUA “governarão” a Venezuela e, nesta segunda, reafirmou que já estão “no comando”, advertindo Rodríguez de que ela pode ter um destino pior que o de Maduro se não “fizer o que é certo”.
O presidente americano informou que a coordenação da situação na Venezuela ficará a cargo de um grupo que inclui o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, o assessor para Segurança e Migração, Stephen Miller, e o vice-presidente JD Vance. Trump, no entanto, deixou claro que a palavra final será dele: “É um grupo de todos. Todos são especialistas em diferentes [campos]”.
Pressão da oposição por eleições e incerteza
María Corina Machado criticou a ascensão de Delcy Rodríguez, chamando-a de “uma das principais arquitetas da tortura, perseguição, corrupção e narcotráfico”. A opositora defende que o candidato Edmundo González Urrutia, em quem convergiu o voto anti-Maduro em 2024, deveria assumir a presidência.
A Constituição venezuelana também prevê, para casos de “ausência temporária”, que o vice assuma por até 180 dias, quando novas eleições seriam convocadas. Até aliados de Trump, como o presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Mike Johnson, manifestaram a expectativa de que uma eleição “deveria acontecer em breve”.
O cenário de indefinição, no entanto, mantém a cautela entre os milhões de venezuelanos que deixaram o país. Especialistas avaliam que, sem uma transição clara para a democracia, um retorno em massa não deve acontecer. “Nestas circunstâncias, ninguém vai voltar para casa”, resumiu a socióloga e ativista Ligia Bolívar, refugiada na Colômbia.
Com informações do DW em 06/01/2026


Andre S Vieira
06/01/2026 - 11h38
Pretensões, não fatos. Os EEUU declaram sua índole prepotente, se arvorando num direito que não têm de subjugar pela força outros países, de querer recolonizar a América Latina. A operação midiática que encobre a guerra trata de difundir como dada uma situação que se sabe que ainda vai gerar muita violência absurda, muito derramamento de sangue, caso queiram concretizar o que se anuncia agora como pretensão. Enfim, é a mídia comprometida com o banho de sangue. Peça fundamental para que a guerra aconteça. Cúmplices do genocídio.