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Trump fala em investimento bilionário na tomada da indústria do petróleo da Venezuela

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende mobilizar um esforço bilionário para reconstruir e expandir a indústria petrolífera da Venezuela, sugerindo que o volume de investimentos pode chegar a US$ 100 bilhões. O valor, segundo especialistas do setor energético, seria compatível com as necessidades de recuperação de um sistema produtivo que sofreu […]

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Imagem: JONATHAN ERNST

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende mobilizar um esforço bilionário para reconstruir e expandir a indústria petrolífera da Venezuela, sugerindo que o volume de investimentos pode chegar a US$ 100 bilhões.

O valor, segundo especialistas do setor energético, seria compatível com as necessidades de recuperação de um sistema produtivo que sofreu forte deterioração ao longo de anos de queda de investimentos, problemas operacionais e sanções internacionais.

As declarações foram dadas em entrevista à NBC News, na Casa Branca, e publicadas pelo Valor Econômico. A fala ocorreu dois dias após a deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças armadas norte-americanas. Trump afirmou que o plano poderia estar “em pleno funcionamento” em menos de 18 meses, prazo considerado otimista por analistas do mercado de energia.

Segundo o presidente, o projeto envolveria grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos, que arcariam inicialmente com os investimentos e seriam posteriormente reembolsadas pelo governo norte-americano ou pela própria receita gerada com a produção de petróleo. “Uma quantia enorme de dinheiro terá que ser gasta, e as empresas petrolíferas gastarão, e então serão reembolsadas por nós ou por meio da receita”, declarou.

Papel das empresas americanas

Questionado sobre conversas com executivos de grandes companhias do setor, Trump citou nomes como ExxonMobil, Chevron e ConocoPhillips, mas disse que ainda é cedo para detalhar negociações. “Falo com todo mundo”, afirmou, sem especificar compromissos já firmados.

Atualmente, a Chevron é apontada como a única grande petrolífera norte-americana ainda com operações na Venezuela, mesmo sob restrições impostas por sanções internacionais. Trump reconheceu que não dispõe de uma estimativa precisa do custo total da reconstrução, limitando-se a dizer que será “muito dinheiro”.

Especialistas do setor energético observam que, além do capital financeiro, a retomada da produção exigirá ampla reestruturação de campos petrolíferos, refinarias, oleodutos e sistemas de exportação, muitos deles afetados por incêndios, furtos de equipamentos e degradação técnica ao longo da última década.

Prazos e viabilidade

Enquanto Trump projeta resultados em menos de 18 meses, analistas avaliam que a recuperação plena da capacidade produtiva venezuelana pode levar até dez anos, dependendo do ritmo de investimentos, da estabilidade política e do ambiente regulatório. Estimativas independentes indicam que os aportes necessários podem ultrapassar US$ 100 bilhões, considerando a reconstrução de infraestrutura e a modernização tecnológica.

A Venezuela detém uma das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, concentradas principalmente na Faixa do Orinoco, com predominância de óleo pesado. Apesar desse potencial, a produção atual está muito abaixo dos níveis históricos, reflexo de dificuldades operacionais e limitações de financiamento.

Impacto sobre preços do petróleo

Trump associou diretamente a proposta de reconstrução do setor petrolífero venezuelano à política de preços de energia. Segundo ele, o aumento da produção no país sul-americano ajudaria a reduzir os preços internacionais do petróleo, tema sensível para a economia norte-americana. “Ter uma Venezuela produtora de petróleo é bom para os Estados Unidos porque mantém o preço do petróleo baixo”, afirmou.

De acordo com o presidente, o incremento do fluxo de petróleo venezuelano poderia ampliar a oferta global e exercer pressão de baixa sobre as cotações, beneficiando consumidores e setores dependentes de energia.

Debate político e jurídico

As declarações ocorrem em meio a um debate internacional sobre os desdobramentos legais e políticos da intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. Críticos apontam possíveis questionamentos ao direito internacional e destacam que não houve autorização explícita do Congresso norte-americano para um projeto de reconstrução econômica em outro país sob influência direta de Washington.

No Congresso dos Estados Unidos, o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, afirmou que o controle das exportações de petróleo venezuelanas pode funcionar como instrumento de pressão para moldar a nova governança no país. Segundo ele, a retenção dessas receitas serviria como forma de persuasão política.

Johnson declarou ainda que o governo norte-americano não caracteriza a iniciativa como uma mudança formal de regime, ressaltando que há um governo interino em funcionamento em Caracas. Ele também afirmou que não se espera o envio de tropas terrestres nem um envolvimento militar direto prolongado, além das medidas de coerção econômica.

Perspectivas e repercussões

Mesmo sem apresentar detalhes operacionais, Trump deixou claro que considera o petróleo venezuelano um ativo estratégico e que pretende liderar, direta ou indiretamente, o processo de reconstrução do setor. Caso avance, o plano poderá redefinir a política externa dos Estados Unidos na América Latina e influenciar o mercado global de energia.

Especialistas observam que o sucesso da iniciativa dependerá não apenas do volume de recursos financeiros, mas também da estabilidade institucional na Venezuela, da aceitação internacional do novo arranjo político e da disposição das empresas privadas em assumir riscos elevados em um ambiente ainda incerto.

A proposta segue sem cronograma detalhado ou definição clara de governança, mas já provoca repercussões no setor energético e no debate diplomático internacional, ao colocar a reconstrução da indústria petrolífera venezuelana no centro da estratégia geopolítica norte-americana.

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