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Washington sequestra um presidente e chama isso de transição democrática

A nomeação de Delcy Rodríguez pelo Tribunal Supremo de Justiça surge como resposta institucional diante do risco de colapso político imposto por uma intervenção externa A América Latina acordou neste último sábado (3) com o coração apertado. Caracas, capital da Venezuela, foi alvo de uma ofensiva militar sem precedentes nos últimos tempos, desencadeada por forças […]

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A nomeação de Delcy Rodríguez pelo Tribunal Supremo de Justiça surge como resposta institucional diante do risco de colapso político imposto por uma intervenção externa


A América Latina acordou neste último sábado (3) com o coração apertado. Caracas, capital da Venezuela, foi alvo de uma ofensiva militar sem precedentes nos últimos tempos, desencadeada por forças dos Estados Unidos. Em meio ao fogo, à fumaça e à angústia da população civil, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela tomou uma decisão histórica: nomear a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país. A medida visa garantir a continuidade do Estado diante do que Caracas classifica como uma “agressão externa” e uma tentativa explícita de ruptura constitucional.

Leia também: Invasão não derruba a ordem constitucional venezuelana

Segundo o TSJ, a ausência forçada do presidente Nicolás Maduro — capturado durante os ataques e levado, segundo fontes oficiais venezuelanas, a bordo de um navio de guerra norte-americano com destino a Nova York — justifica a intervenção judicial para preservar a ordem republicana. “A fim de garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”, Delcy Rodríguez assume o comando provisório, conforme determina a sentença emitida pelo mais alto tribunal do país.

A voz da resistência no Palácio de Miraflores

Poucas horas após a confirmação do sequestro de Maduro, Delcy Rodríguez apareceu diante das câmeras, com o rosto sereno mas determinado, em frente ao Palácio de Miraflores. Acompanhada por líderes centrais do chavismo, como o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, ela convocou o povo venezuelano e as Forças Armadas a resistirem à invasão estrangeira.

“A Venezuela só tem um presidente: Nicolás Maduro. Nossa nação nunca será colônia de nenhuma nação”, afirmou em pronunciamento transmitido em rede nacional. A nova presidente interina buscou acalmar uma população assustada pelos estrondos dos bombardeios, reiterando que as estruturas do Estado bolivariano permanecem firmes e fiéis ao projeto de soberania popular construído ao longo das últimas décadas.

A ofensiva imperialista e o sequestro de Maduro

A crise atingiu seu ápice na madrugada deste sábado, quando a capital venezuelana foi bombardeada em múltiplos pontos estratégicos. Fontes governamentais confirmaram a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por militares norte-americanos. Ambos teriam sido levados a um navio de guerra e estariam sendo transportados para os Estados Unidos, onde, segundo Washington, Maduro deverá enfrentar um tribunal. A medida fere frontalmente os princípios do direito internacional, que garantem imunidade a chefes de Estado e respeito à soberania nacional.

Enquanto Caracas ainda contabiliza os estragos materiais e humanos dos ataques, Donald Trump, de sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, anunciou seus planos para o que chamou de “transição” na Venezuela. O presidente norte-americano declarou que um grupo de alto escalão do seu governo será encarregado de administrar o país sul-americano, ignorando completamente a ordem jurídica venezuelana e a vontade do povo.

A volta da Doutrina Monroe e o foco no petróleo

No discurso que seguiu à operação militar, Trump evocou abertamente a Doutrina Monroe — aquela política imperialista do século XIX que declarava o Hemisfério Ocidental como “zona de influência exclusiva” dos Estados Unidos. “O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, afirmou, como se o tempo não tivesse passado desde as intervenções militares do início do século XX.

Mas por trás da retórica ideológica, há interesses concretos. Trump destacou que empresas petrolíferas norte-americanas “retornarão” à Venezuela para “reparar a infraestrutura” — e, claro, gerar lucros. O país, que detém as maiores reservas petrolíferas do mundo, está sendo tratado como território conquistado, cujos recursos naturais passam a ser considerados espólio de guerra.

Curiosamente, Trump desdenhou da oposição interna venezuelana. Ao ser questionado sobre María Corina Machado, líder da ala mais radical da direita local, o presidente dos EUA foi direto: “Ela não tem o respeito necessário para governar.” Em vez disso, revelou que o secretário de Estado, Marco Rubio, mantém contatos com a própria Delcy Rodríguez — uma ironia que não passou despercebida em Caracas, onde a nova presidente interina segue denunciando a invasão como um ato criminoso e inaceitável.

A luta pela soberania continua

Neste momento de incerteza e dor, a Venezuela se encontra diante de um novo capítulo de sua luta histórica contra o imperialismo. Enquanto Washington tenta impor um governo de ocupação sob o disfarce de “justiça e liberdade”, as instituições venezuelanas — amparadas por uma decisão do TSJ e pela mobilização popular — se mantêm firmes na defesa da soberania nacional. O mundo observa. E a América Latina, mais do que nunca, precisa escolher de que lado da história estará.

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