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Brasil supera os EUA e se torna o maior produtor mundial de carne bovina

O Brasil alcançou em 2025 uma posição inédita no mercado global de proteínas animais ao ultrapassar os Estados Unidos como o maior produtor mundial de carne bovina. Estimativas de mercado indicam que a produção brasileira superou as projeções iniciais em centenas de milhares de toneladas, contribuindo para aliviar a oferta global e conter pressões mais […]

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O Brasil alcançou em 2025 uma posição inédita no mercado global de proteínas animais ao ultrapassar os Estados Unidos como o maior produtor mundial de carne bovina. Estimativas de mercado indicam que a produção brasileira superou as projeções iniciais em centenas de milhares de toneladas, contribuindo para aliviar a oferta global e conter pressões mais intensas sobre os preços internacionais. As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo.

O país já liderava as exportações globais do setor. Dados oficiais apontam que os embarques brasileiros de carne bovina somaram quase US$ 17 bilhões em 2025, consolidando o Brasil como principal fornecedor internacional, mesmo antes da divulgação oficial dos números finais de produção, prevista para fevereiro. O avanço ocorre em um contexto de forte demanda externa, especialmente de mercados como China e Estados Unidos, onde a oferta restrita elevou os preços a níveis recordes.

Diante desse cenário, produtores brasileiros intensificaram o envio de animais para abate. Tradicionalmente, ciclos de abate elevados costumam ser seguidos por períodos de retração produtiva. No entanto, especialistas avaliam que mudanças estruturais na pecuária nacional podem reduzir esse efeito e permitir a manutenção de volumes elevados.

Produtividade e eficiência impulsionam a produção

Um dos principais vetores desse crescimento é o aumento da produtividade nas fazendas. O uso mais amplo de técnicas de inseminação artificial, sistemas de engorda intensiva e a redução da idade de abate vêm alterando de forma significativa o perfil da produção brasileira. “Há dez anos, a idade média do gado abatido no Brasil era de cinco anos. Hoje está em torno de 36 meses e caminha rapidamente para 24 meses”, afirma Vinicius Barbosa, gerente comercial da CMA, confinamento localizado em Barretos (SP).

Segundo Mauricio Nogueira, diretor da consultoria pecuária Athenagro, a produção brasileira em 2025 cresceu cerca de 4%, contrariando a projeção inicial de queda de 2,7%. O aumento estimado, de aproximadamente 800 mil toneladas, equivale a todo o volume exportado anualmente pela Argentina, o quinto maior exportador mundial de carne bovina.

Instituições financeiras e organismos internacionais também revisaram suas estimativas. O Rabobank, que inicialmente projetava retração, passou a estimar crescimento de 0,5%, elevando a produção brasileira para cerca de 12,5 milhões de toneladas em peso equivalente em carcaça. Já o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos revisou em dezembro sua projeção para o Brasil, acrescentando 450 mil toneladas e alcançando 12,35 milhões.

Queda nos EUA abre espaço para liderança brasileira

Caso as estimativas se confirmem, 2025 será o primeiro ano em que o Brasil superará os Estados Unidos em produção. A produção norte-americana recuou 3,9%, para 11,8 milhões de toneladas, após sucessivos anos de seca que reduziram o rebanho. Para 2026, o USDA projeta nova queda, para 11,7 milhões de toneladas.

No Brasil, o debate gira em torno da capacidade de sustentar ou ampliar o volume produzido. Nogueira avalia que os ganhos de eficiência podem adicionar cerca de 300 mil toneladas extras à produção nacional, mesmo diante de projeções oficiais mais conservadoras.

Confinamento e etanol de milho ganham peso

A expansão do confinamento é outro fator relevante. Segundo a Scot Consultoria, quase 28% do gado abatido no Brasil deverá ser engordado em confinamento até 2027, ante 22% em 2025. “O confinamento faz em 100 dias o que levaria de 18 a 24 meses a pasto”, explica Barbosa. A unidade da CMA em Barretos, por exemplo, deve processar 80 mil bovinos em 2026, acima dos 65 mil do ano anterior.

A expansão do etanol de milho também influencia a pecuária. O setor gera grãos secos de destilaria, subproduto com alto teor proteico que acelera a engorda dos animais. Paralelamente, a adoção de técnicas reprodutivas mais eficientes vem elevando a taxa de prenhez. A Scot projeta que esse índice alcance 54% em 2027, ante 50% esperados para 2026.

Analistas destacam ainda o papel do aprimoramento genético, que contribui para maior ganho de peso e melhora da qualidade da carne. Apesar dos avanços, o Brasil ainda está distante de padrões observados em outros países: cerca de 90% do gado passa por confinamento nos Estados Unidos, enquanto na Austrália o índice é de 40%.

Rebanho grande e menor pressão ambiental

Com um rebanho estimado em 238 milhões de cabeças —mais que o dobro das 94 milhões dos Estados Unidos—, o Brasil tem espaço para expandir a produção sem ampliar áreas de pastagem. Esse fator é considerado estratégico para reduzir pressões ambientais associadas ao desmatamento. Projeções da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) indicam que, entre 2024 e 2034, o rebanho brasileiro deve crescer apenas 4%, enquanto a produção de carne pode avançar 24%.

No cenário internacional, a capacidade brasileira de manter volumes elevados será determinante para os preços globais. O USDA projeta que, em 2026, a produção combinada dos seis maiores produtores —Brasil, Estados Unidos, China, União Europeia, Argentina e Austrália— caia 2,4%, a maior retração anual em décadas. Caso o desempenho brasileiro supere as estimativas, essa queda poderá ser parcialmente neutralizada.

A demanda internacional segue aquecida. “Nunca houve tanta demanda internacional por carne bovina brasileira”, afirma Guilherme Jank, analista da Datagro. Segundo ele, frigoríficos ampliaram a capacidade produtiva para atender ao mercado externo. “Estamos testemunhando uma mudança significativa no sistema de fornecimento de carne bovina no Brasil, em termos de qualidade, escala, eficiência e produtividade”, conclui.

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