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China sobe o tom contra assalto dos EUA ao petróleo venezuelano

“O uso descarado da força pelos Estados Unidos contra a Venezuela e sua exigência de ‘América Primeiro’… são atos típicos de intimidação”, afirmou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China. Em mais uma escalada de sua ofensiva para controlar o fluxo de petróleo nas Américas, os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira a […]

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Comando Europeu dos EUA/X/Reuters

“O uso descarado da força pelos Estados Unidos contra a Venezuela e sua exigência de ‘América Primeiro’… são atos típicos de intimidação”, afirmou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.

Em mais uma escalada de sua ofensiva para controlar o fluxo de petróleo nas Américas, os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira a apreensão do petroleiro Marinera, um navio de bandeira russa com ligações à Venezuela. A ação, que contou com a presença de submarinos e navios russos nas proximidades, elevou o risco de um confronto direto com Moscou.

A operação faz parte da estratégia agressiva do presidente Donald Trump para forçar a Venezuela a se tornar um aliado e ditar os termos da exploração das maiores reservas de petróleo do mundo, após o sequestro do líder Nicolás Maduro no último sábado.

Interceptação de alto risco e reação internacional

A apreensão do Marinera (originalmente chamado Bella-1) ocorreu após duas semanas de perseguição no Atlântico. Autoridades americanas afirmaram que o navio, que estava vazio, recusou-se a ser abordado no mês passado e posteriormente passou a navegar sob bandeira russa. A emissora estatal russa RT exibiu imagens de um helicóptero americano pairando próximo ao navio durante a tentativa de abordagem.

Leia também: https://www.ocafezinho.com/2026/01/07/eua-conseguem-tomar-de-assalto-petroleiro-russo-ligado-a-venezuela-apos-perseguicao-de-semanas-no-atlantico-norte/

Esta não foi a única interceptação. A Guarda Costeira dos EUA também apreendeu outro petroleiro, o Sophia, totalmente carregado e ligado à Venezuela, perto da costa nordeste da América do Sul. Este é o quarto caso desse tipo nas últimas semanas, indicando uma campanha sistemática para bloquear a entrada e saída de embarcações sancionadas nas águas venezuelanas.

A ação gerou condenações imediatas. A Rússia condenou as ações dos EUA, já em desacordo com o Ocidente devido à guerra na Ucrânia. E a China classificou as medidas como “atos típicos de intimidação” e “bullying”, através de seu porta-voz Mao Ning.

O plano de Trump: controlar o petróleo e redirecionar exportações

O governo Trump está pressionando por um acordo com a Venezuela que exigiria o redirecionamento de cargas destinadas à China – atualmente a principal compradora do petróleo venezuelano. O objetivo inicial seria importar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto, aproveitando milhões de barris retidos em navios-tanque e armazéns devido ao bloqueio americano.

Trump tem sido explícito sobre seus objetivos. Em publicação na terça-feira, afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela. “Este petróleo será vendido ao preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim para garantir que seja usado em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos!”, escreveu.

Fontes da estatal petrolífera PDVSA disseram à Reuters que as negociações para um acordo de exportação avançaram, embora o governo da Venezuela não tenha feito nenhum anúncio oficial. A estratégia parece priorizar a revitalização do setor petrolífero com empresas americanas, em detrimento de uma transição democrática ou libertação de presos políticos.

O delicado jogo interno venezuelano

Enquanto isso, os aliados de Maduro no Partido Socialista permanecem no poder. A presidente interina, Delcy Rodríguez, caminha na corda bamba entre denunciar o “sequestro” de Maduro e iniciar a cooperação com os EUA, sob ameaças explícitas de Trump.

Ao trabalhar com Rodríguez e outros altos funcionários, os EUA alertaram que eles devem cooperar ou correm o risco de compartilhar o mesmo destino de Maduro. O ministro do Interior Diosdado Cabello, que controla as forças de segurança, está sob escrutínio especial. A própria Rodríguez tem ativos financeiros no exterior identificados como potencial instrumento de pressão.

A principal figura anti-Maduro, María Corina Machado, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em outubro, quer voltar ao país, onde acredita que a oposição venceria facilmente em um referendo livre. No entanto, ela tem cuidado para não antagonizar Trump, chegando a dizer que gostaria de entregar pessoalmente a ele o Prêmio Nobel. Ela apoia o desejo de Trump de fazer da Venezuela um aliado importante.

A captura de Maduro, descrita como a maior intervenção de Washington na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989, resultou em dezenas de mortes. A operação, que ocorreu na escuridão do sábado, envolveu Forças Especiais dos EUA invadindo Caracas de helicóptero, rompendo o cordão de segurança de Maduro e prendendo-o sem nenhuma perda de vidas americanas.

O cenário geopolítico ampliado

As ações dos EUA na Venezuela estão causando profunda preocupação entre aliados de Washington, que veem um precedente extraordinário na detenção de um chefe de Estado estrangeiro. Simultaneamente, Trump tem feito uma série de ameaças de mais ações – do México à Groenlândia – para promover os interesses dos EUA.

No mercado, os preços do petróleo bruto já caíram devido ao aumento previsto na oferta conforme o plano de Trump avança.

A estratégia americana parece clara: estabelecer um controle sem precedentes sobre os recursos energéticos venezuelanos, realinhar as relações comerciais da região e enviar uma mensagem inequívoca sobre quem dita as regras no hemisfério ocidental. O sucesso deste plano, no entanto, dependerá não apenas da cooperação forçada da cúpula chavista, mas também de quão longe a Rússia e a China estão dispostas a ir para contestar esta nova realidade.

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