EUA tentam saquear petroleiro russo em novo ato de ‘pirataria’ ordenado por Trump

As autoridades dos Estados Unidos iniciaram uma operação para apreender um petroleiro de bandeira russa com vínculos históricos com a Venezuela, após uma perseguição que se estendeu por mais de duas semanas no oceano Atlântico. A ação é conduzida pela Guarda Costeira dos Estados Unidos, com apoio das Forças Armadas norte-americanas, e ocorre em águas internacionais, o que ampliou a atenção diplomática sobre o episódio. As informações foram divulgadas pela RT.

O navio, atualmente identificado como Marinera, já havia sido alvo de uma tentativa anterior de apreensão quando operava sob o nome Bella 1. Naquela ocasião, segundo autoridades americanas, havia um mandado de apreensão em vigor, com base na acusação de violação de sanções impostas por Washington e no suposto transporte de petróleo iraniano com destino à Venezuela. Após a tentativa de abordagem, a embarcação alterou repentinamente sua rota, mudou de nome e passou a operar sob bandeira russa.

Histórico do navio e acusações dos Estados Unidos

De acordo com dados reunidos por autoridades e por serviços de rastreamento marítimo, o Marinera possui histórico de transporte de petróleo bruto venezuelano. Informações mais recentes indicam que, no momento, a embarcação estaria sem carga. Ainda assim, desde a mudança de registro e de nome, o navio passou a ser acompanhado por meios navais dos Estados Unidos ao longo do Atlântico Norte.

Washington sustenta que a embarcação integra uma rede de transporte de petróleo do Irã e da Venezuela, em desacordo com sanções unilaterais impostas pelo governo norte-americano. Para as autoridades dos EUA, a apreensão do petroleiro estaria respaldada por decisões judiciais domésticas que autorizariam a captura de ativos associados a esse tipo de operação, mesmo quando localizados fora do território americano.

Presença russa e movimentação no Atlântico Norte

A operação ganhou maior complexidade após informações de que a Rússia teria mobilizado meios navais para acompanhar o deslocamento do navio. Segundo relatos divulgados pela imprensa russa, um submarino teria sido deslocado para a região com o objetivo de monitorar a situação e oferecer escolta ao petroleiro durante parte da travessia oceânica.

Dados de localização indicam que o Marinera realizou uma mudança brusca de curso, direcionando-se ao sul, e reduziu sua velocidade para cerca de oito nós a partir das 11h26 (horário local). No último registro disponível, a embarcação encontrava-se a aproximadamente 200 quilômetros ao sul da costa da Islândia, em uma área de intenso tráfego marítimo e interesse estratégico para países membros da Otan.

Reação de Moscou e preocupação diplomática

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia reagiu publicamente à operação. Em declaração divulgada pela agência Tass, um representante da chancelaria russa afirmou que Moscou acompanha o caso com preocupação. “Por razões desconhecidas para nós, o navio russo está recebendo atenção excessiva dos militares dos Estados Unidos e da Otan, claramente desproporcional ao seu status pacífico”, declarou o porta-voz.

Para autoridades russas, a tentativa de apreensão em águas internacionais levanta questionamentos sobre a legalidade da ação e sobre o risco de incidentes envolvendo forças militares de diferentes países em uma mesma área. Moscou também indicou que avalia os desdobramentos do caso à luz do direito marítimo internacional e das convenções que regem a navegação em alto-mar.

Contexto regional e ligação com a Venezuela

A tentativa de captura do petroleiro ocorre poucos dias após uma operação militar dos Estados Unidos em território venezuelano que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. O governo norte-americano anunciou, posteriormente, a formalização de acusações criminais contra o líder venezuelano, relacionadas a tráfico de drogas e crimes financeiros.

A Rússia condenou duramente essa ação, classificando-a como violação do direito internacional e exigindo a libertação imediata de Maduro. O episódio contribuiu para elevar o nível de tensão entre Washington e Moscou e ampliou a sensibilidade em torno de qualquer movimentação militar envolvendo interesses venezuelanos ou russos.

Risco de escalada e atenção internacional

Especialistas em segurança marítima observam que operações de apreensão em águas internacionais, sobretudo quando envolvem navios de bandeira russa e alegações de escolta militar, tendem a ser acompanhadas com cautela por governos europeus e por organismos internacionais. A proximidade do petroleiro com rotas estratégicas do Atlântico Norte e com países aliados dos Estados Unidos adiciona um componente diplomático relevante ao episódio.

Até o momento, não há confirmação oficial de que a apreensão tenha sido concluída. Autoridades norte-americanas mantêm silêncio sobre detalhes operacionais, enquanto a Rússia segue monitorando a movimentação do navio e das forças envolvidas.

O caso se insere em um cenário mais amplo de disputas relacionadas a sanções econômicas, transporte de energia e projeção de poder naval, e deve continuar a gerar repercussão diplomática enquanto não houver um desfecho claro para a situação do petroleiro Marinera.

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