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Intervenção dos EUA desafia ordem internacional

América Latina se une para defender soberania diante da ofensiva dos EUA na Venezuela A paz regional enfrenta seu teste mais severo em décadas. A recente ofensiva militar ordenada pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, contra a Venezuela — com bombardeios, ocupação territorial e a captura de Nicolás Maduro — acionou um alarme urgente em […]

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Governos do Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha, diante da gravidade dos fatos ocorridos na Venezuela
Posição de Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha diante dos fatos ocorridos na Venezuela

América Latina se une para defender soberania diante da ofensiva dos EUA na Venezuela


A paz regional enfrenta seu teste mais severo em décadas. A recente ofensiva militar ordenada pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, contra a Venezuela — com bombardeios, ocupação territorial e a captura de Nicolás Maduro — acionou um alarme urgente em todo o continente. Contudo, a resposta imediata e conjunta de seis nações oferece um contraponto fundamental. Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha levantaram uma voz comum de repúdio, reafirmando um princípio sagrado: a autodeterminação dos povos. Essa união, além de política, é um símbolo potente da rejeição latino-americana a velhas práticas imperialistas que insistem em ressurgir.

A nota conjunta emitida por esses países não é uma mera formalidade diplomática. Ela representa, na verdade, um sólido baluarte jurídico e político. Os signatários expressaram profunda preocupação e rejeição às operações militares unilaterais, destacando que elas violam flagrantemente a Carta das Nações Unidas. Especificamente, a ação viola a proibição do uso da força, o princípio de não ingerência em assuntos internos e o respeito à integridade territorial. Além disso, essa intervenção desestabiliza deliberadamente uma região que vem buscando, com esforço, consolidar sua estabilidade. Portanto, a resposta coletiva surge como um antídoto necessário contra a arbitrariedade.

Ofensiva militar ignora direito internacional e impõe lógica colonialista

Os detalhes da operação confirmam os piores temores. Após os bombardeios, Trump anunciou a captura de Maduro e sua esposa, declarando que os EUA assumiriam o controle da Venezuela “até uma transição adequada”. Ele então vinculou explicitamente essa ocupação às maiores reservas de petróleo do mundo. Essa postura, contudo, desmascara a narrativa.

Ela revela uma agenda de apropriação de recursos, reacendendo o fantasma do colonialismo sob um disfarce falacioso. Consequentemente, fica claro que interesses econômicos são priorizados sobre direitos humanos, democracia genuína e segurança coletiva. A comunidade internacional, assim, testemunha uma flagrante inversão de valores.

Os governos signatários alertam, com razão, que essa intervenção cria um precedente sumamente perigoso. Primeiramente, ela coloca em risco direto a população civil venezuelana, já extremamente fragilizada por anos de sanções e crise humanitária. Ademais, a ação rompe com um consenso histórico de não agressão que ajudou a manter relativa paz no continente.

O documento é enfático ao rejeitar qualquer “controle ou apropriação externa de recursos naturais”. Esse tipo de ação, em síntese, gera instabilidade profunda, aprofunda desigualdades sociais e compromete o futuro de nações inteiras. A segurança regional, portanto, não pode ser sacrificada no altar do petróleo.

Solução deve vir do povo venezuelano, sem ingerências externas

Em nítido contraste com a lógica belicista, a nota conjunta traça um caminho sensato e responsável. Os países defendem que a crise venezuelana exige soluções exclusivamente políticas e pacíficas. Eles reiteram que apenas um processo político inclusivo, liderado pelos próprios venezuelanos, pode garantir uma saída democrática e sustentável. Sob ocupação estrangeira, a dignidade humana e a soberania são impossíveis. Dessa forma, o restabelecimento da ordem institucional deve emanar da sociedade venezuelana, em todas as suas expressões, e não ser imposto por forças externas. A verdadeira democracia, afinal, nunca nasce da ponta de um fuzil.

União latino-americana como antídoto contra ameaças externas

A declaração final reafirma um ideal caro: o de manter a América Latina e o Caribe como uma zona de paz. Esse princípio, consagrado em fóruns internacionais, baseia-se no respeito mútuo e na solução pacífica de controvérsias. Diante da ameaça, o apelo é por unidade regional além das diferenças políticas internas. Significativamente, a coalizão inclui governos de esquerda, centro e direita, demonstrando que a soberania é um valor transcendente.

O Brasil, nesse contexto, reforça seu compromisso com a integração e a proteção dos recursos naturais. A história do continente está repleta de exemplos onde intervenções trouxeram mais miséria e dominação do que liberdade. Agora, a resposta coordenada indica uma maturidade política coletiva determinada a não repetir os erros do passado e a defender, com firmeza, um futuro de autodeterminação.

Leia a nota completa abaixo:

Posição de Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha diante dos fatos ocorridos na Venezuela — 4 de janeiro de 2026

Os Governos do Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha, diante da gravidade dos fatos ocorridos na Venezuela e reafirmando seu apego aos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, expressam de forma conjunta as seguintes posições:

 1. Expressamos nossa profunda preocupação e rechaço diante das ações militares executadas unilateralmente no território da Venezuela, as quais contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça do uso da força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas. Tais ações constituem um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais e para a ordem internacional baseada em normas, além de colocarem em risco a população civil.

2. Reiteramos que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, por meio do diálogo, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano em todas as suas expressões, sem ingerências externas e em conformidade com o direito internacional. Reafirmamos que apenas um processo político inclusivo, liderado pelas venezuelanas e pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática, sustentável e respeitosa da dignidade humana.

3. Reafirmamos o caráter da América Latina e do Caribe como zona de paz, construída sobre o respeito mútuo, a solução pacífica das controvérsias e a não intervenção, e fazemos um apelo à unidade regional, para além das diferenças políticas, diante de qualquer ação que coloque em risco a estabilidade regional. Da mesma forma, exortamos as Nações Unidas e os mecanismos multilaterais pertinentes a fazer uso de seus bons ofícios para contribuir para a desescalada das tensões e para a preservação da paz regional.

4. Manifestamos nossa preocupação diante de qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, o que se mostra incompatível com o direito internacional e ameaça a estabilidade política, econômica e social da região.

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