Petrolífera da Venezuela já negocia com os EUA a venda de petróleo cru

A estatal petroleira venezuelana Petróleos de Venezuela, S.A. (PDVSA) informou nesta quarta-feira (7) que está em negociações com autoridades dos Estados Unidos para a venda de petróleo bruto em termos comerciais. Segundo a empresa, as negociações ocorrem com base em acordos nos moldes daqueles já existentes com companhias internacionais, como a Chevron, e buscam condições “estritamente comerciais” para retomar fluxos de exportação e contribuir com a estabilidade energética global.

A PDVSA destacou em nota que “reafirma seu compromisso de continuar construindo alianças que promovam o desenvolvimento nacional em benefício do povo venezuelano”, ressaltando que os diálogos energéticos com Washington estão progredindo e que qualquer venda deverá obedecer a preços e condições de mercado, sem privilégios indevidos.

Estados Unidos reagem com mudança de política sobre sanções

Ainda nesta quarta-feira, o Departamento de Energia dos EUA (DOE) anunciou que a administração americana está revertendo de forma seletiva algumas sanções ao petróleo venezuelano para permitir seu transporte e comercialização no mercado internacional, inclusive com destino às refinarias dos Estados Unidos. Conforme comunicado da Casa Branca, essa flexibilização visa viabilizar um “acordo energético histórico” entre os dois países e permitir que petróleo leve dos EUA seja usado para otimizar a produção e o transporte do petróleo pesado venezuelano.

Fontes oficiais ouvidas pela Reuters confirmaram que autoridades venezuelanas e norte-americanas estão discutindo a exportação de milhões de barris de petróleo bruto que estavam retidos em navios-tanque e tanques de armazenamento no país, devido ao bloqueio imposto por Washington desde meados de dezembro. Desde então, a falta de espaço de armazenamento tem forçado cortes de produção.

Propostas em discussão incluem redirecionar exportações originalmente destinadas à China, principal comprador venezuelano nas últimas décadas, para as refinarias norte-americanas, que conseguem processar o tipo de petróleo pesado produzido na Venezuela.

Contexto da crise petrolífera e política

As exportações de petróleo venezuelano ficaram praticamente paralisadas após os Estados Unidos imporem um bloqueio e sancionarem navios-tanque ligados à PDVSA como parte da pressão econômica sobre o governo de Nicolás Maduro. Embora a Chevron tenha mantido operações de exportação sob licença especial do Tesouro americano, o embargo e a apreensão de embarcações reduziram drasticamente o fluxo de petróleo bruto para fora do país, obrigando a PDVSA a considerar cortes de produção para evitar superlotação dos estoques.

A retomada de negociações entre PDVSA e Estados Unidos ocorre em um momento de profundas mudanças nas relações bilaterais, após a recente intensificação de medidas americanas contra Caracas e a evolução das conversas sobre abertura do setor petrolífero venezuelano a interesses comerciais em um novo cenário geopolítico.

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