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Rússia protesta contra assalto de petroleiro pelos EUA e acusa violação do direito marítimo internacional

A apreensão do petroleiro Marinera por forças navais dos Estados Unidos abriu um novo foco de tensão diplomática entre Washington e Moscou. O governo russo apresentou um protesto formal e afirmou ter perdido contato com a embarcação após a abordagem realizada por militares norte-americanos em águas internacionais, no Atlântico Norte. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira […]

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A apreensão do petroleiro Marinera por forças navais dos Estados Unidos abriu um novo foco de tensão diplomática entre Washington e Moscou. O governo russo apresentou um protesto formal e afirmou ter perdido contato com a embarcação após a abordagem realizada por militares norte-americanos em águas internacionais, no Atlântico Norte.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (7) e citado pela agência Reuters, o Ministério dos Transportes da Rússia declarou que a ação viola normas do direito internacional marítimo. Segundo o órgão, “de acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, a liberdade de navegação aplica-se em alto mar, e nenhum Estado tem o direito de usar a força contra embarcações devidamente registradas nas jurisdições de outros Estados”. A nota acrescenta que o contato com o navio-tanque foi interrompido logo após a intervenção das forças dos Estados Unidos.

O Marinera era anteriormente conhecido como Bella 1 e, conforme relatos da imprensa norte-americana, teria sido rebatizado e passado a operar sob bandeira russa após mudar de rota para evitar uma tentativa de interceptação no Caribe. O Comando Europeu dos Estados Unidos anunciou oficialmente a apreensão, informando que a operação ocorreu com base em um mandado emitido por um tribunal federal norte-americano, após monitoramento conduzido pela Guarda Costeira dos EUA.

Segundo a Fox News, a abordagem ocorreu em uma área marítima entre as Ilhas Britânicas e a Islândia. Em publicação na rede X, o EUCOM afirmou que o Departamento de Justiça e o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos conduziram a operação por supostas violações às sanções impostas por Washington, relacionadas ao transporte de petróleo associado à Venezuela e ao Irã.

Governo russo reage e fala em escalada de tensão

A reação de Moscou foi imediata. Autoridades russas classificaram a apreensão como desproporcional e questionaram a legalidade do uso da força em alto-mar. Para o governo russo, o fato de a embarcação estar registrada sob bandeira nacional garantiria proteção pelas regras internacionais de navegação, o que tornaria a ação norte-americana incompatível com o direito do mar.

Fontes diplomáticas ouvidas pela Reuters avaliam que o episódio tende a aprofundar as tensões entre Rússia e Estados Unidos, especialmente em um contexto de atritos crescentes após a intensificação das medidas de Washington contra o setor energético venezuelano e seus parceiros comerciais.

EUA reforçam bloqueio ao petróleo venezuelano

Após a apreensão, o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio ao petróleo venezuelano permanece em vigor em escala global. Em publicação nas redes sociais, ele escreveu que “o bloqueio ao petróleo venezuelano sancionado e ilícito permanece em pleno vigor — em qualquer parte do mundo”.

Em outra declaração, Hegseth afirmou que os Estados Unidos “continuam a aplicar o bloqueio contra todos os navios da frota clandestina que transportam ilegalmente petróleo venezuelano para financiar atividades ilícitas”. Segundo ele, apenas o comércio de energia considerado “legítimo e legal”, conforme os critérios definidos por Washington, será autorizado.

Nova apreensão no Caribe amplia ofensiva naval

A operação no Atlântico Norte não foi um caso isolado. Ainda nesta quarta-feira, o Comando Sul dos Estados Unidos informou a apreensão de um petroleiro sem nacionalidade no mar do Caribe. Em comunicado divulgado na rede X, o órgão afirmou que, “em uma ação realizada antes do amanhecer, o Departamento de Guerra, em coordenação com o Departamento de Segurança Interna, apreendeu sem incidentes um petroleiro motorizado da chamada frota obscura, sem nacionalidade e sob sanções”.

A embarcação, identificada como M/T Sophia, está sendo escoltada para território norte-americano. Segundo autoridades dos EUA, o navio estaria envolvido em operações de transporte de petróleo em violação às sanções internacionais.

Impacto sobre exportações venezuelanas

As medidas adotadas por Washington têm impacto direto sobre o setor energético da Venezuela. De acordo com a Reuters, as exportações de petróleo do país estão atualmente paralisadas após o bloqueio imposto pelo presidente Donald Trump a petroleiros sancionados. Capitães de portos venezuelanos relataram à agência que não receberam pedidos de autorização para a saída de navios que já estavam carregados.

O endurecimento do bloqueio ocorre em meio a uma ofensiva mais ampla do governo dos Estados Unidos contra a infraestrutura energética venezuelana e rotas de escoamento do petróleo do país, considerada estratégica por Washington no contexto das sanções.

Contexto político amplia repercussão

O episódio acontece poucos dias após uma operação norte-americana de grande escala na Venezuela, que resultou na detenção do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, posteriormente levados para Nova York para responder a acusações criminais anunciadas pelo governo dos Estados Unidos. Caracas e aliados classificam a ação como ilegal, enquanto Washington sustenta que se trata de aplicação da lei e de sanções vigentes.

Especialistas em relações internacionais avaliam que a apreensão do Marinera amplia o risco de incidentes diplomáticos e militares, ao envolver diretamente embarcações de países que mantêm alianças estratégicas com a Venezuela. Até o momento, os Estados Unidos não informaram o destino final do petroleiro apreendido nem se haverá confisco formal de eventual carga. Moscou, por sua vez, afirmou que seguirá acompanhando o caso e avaliando respostas no campo diplomático.

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