O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus assessores estão elaborando um plano de longo prazo para exercer controle sobre a estatal petrolífera venezuelana Petróleos de Venezuela, S.A. (PDVSA) e a maior parte da produção de petróleo do país, informou o jornal The Wall Street Journal nesta quarta-feira (7).
Fontes consultadas pelo WSJ afirmaram que as propostas em análise incluem a aquisição e a comercialização da maior parte do petróleo produzido pela PDVSA, com o objetivo de dar aos Estados Unidos influência direta sobre um dos maiores estoques de petróleo do Hemisfério Ocidental. Essa estratégia, segundo assessores, estaria alinhada ao objetivo declarado de Trump de reduzir os preços globais do petróleo para cerca de US$ 50 por barril.
O plano, que ainda está em desenvolvimento interno e depende de decisões executivas e negociações com o governo venezuelano, prevê que Washington utilize acordos de compra e potencialmente parcerias com empresas petrolíferas americanas para organizar a comercialização dos barris venezuelanos, incluindo possíveis joint ventures com companhias como a Chevron.
Objetivos econômicos e geopolíticos
Segundo fontes, Trump acredita que tal controle poderia ajudar a fortalecer a posição dos EUA no mercado energético global, restringir a influência de outros países — especialmente da China, que tem sido o principal comprador de petróleo venezuelano nos últimos anos — e ampliar a oferta de crude para refinarias norte-americanas.
A estratégia inclui planos para que os lucros da venda de petróleo sejam gerenciados por entidades norte-americanas ou por um “trustee” supervisionado pelo governo dos EUA, com parte desses recursos sendo usada para financiar a compra de bens e serviços americanos e, segundo autoridades ligadas à proposta, apoiar a economia venezuelana sob nova administração.
Contexto pós-invasão e negociação com PDVSA
O plano ganhou impulso após uma ação militar dos EUA em Caracas em 3 de janeiro, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, e sua transferência para Nova York sob acusações de narcoterrorismo. A vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada presidente interina da Venezuela e, desde então, autoridades venezuelanas afirmaram estar em negociações com Washington sobre a venda de petróleo e possíveis acordos comerciais.
Na quarta-feira, a estatal venezuelana PDVSA confirmou que está em discussão com autoridades norte-americanas para vender petróleo bruto em termos comerciais, ressaltando que essas transações seriam baseadas em critérios de legalidade, transparência e benefício mútuo.
Reações no mercado e na geopolítica
A possibilidade de controle norte-americano sobre a produção e comercialização do petróleo venezuelano já teve impacto nos mercados: os preços internacionais do petróleo oscilaram na semana após divulgações preliminares sobre o plano, reflexo das expectativas de aumento da oferta global.
Especialistas em energia comentam que a retomada de produção em larga escala na Venezuela exigiria investimentos significativos e tempo, mesmo com parcerias internacionais, dado o estado de deterioração das infraestruturas da indústria petrolífera venezuelana.
Desafios jurídicos e diplomáticos
Analistas ressaltam que a proposta suscita dúvidas sobre sua base legal e o respeito à soberania de um Estado estrangeiro, especialmente considerando que a Venezuela é um país soberano com controle constitucional sobre seus recursos naturais. Além disso, o direcionamento de receitas e a administração da PDVSA por autoridades externas levantam questões complexas no direito internacional e comercial.
Representantes do governo venezuelano ainda não divulgaram uma resposta oficial ampla sobre o plano detalhado pelo WSJ, e a Casa Branca não comentou formalmente as reportagens até o momento.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!