Trump admite que EUA devem ‘fincar o pé’ na Venezuela e dominar venda de petróleo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que espera que o governo norte-americano mantenha uma supervisão direta sobre a Venezuela por um período prolongado, possivelmente por anos, sem estabelecer um prazo para o fim da presença política de Washington no país. As declarações foram dadas em entrevista concedida na noite de quarta-feira (7) ao The New York Times, em uma conversa de quase duas horas que abordou política externa, segurança e economia.

Questionado sobre a duração do controle, Trump disse que a administração dos Estados Unidos pode se estender “por muito mais tempo” do que meses ou um ano. Segundo o presidente, a estratégia envolve a gestão da venda do petróleo venezuelano e a utilização das receitas como parte de um plano de reconstrução econômica. “Vamos reconstruí-la de uma maneira muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos extrair petróleo”, afirmou.

De acordo com Trump, o governo interino venezuelano estaria cooperando com os interesses norte-americanos. Ele afirmou que a atual administração do país “está nos dando tudo o que consideramos necessário”, sem detalhar compromissos formais ou instrumentos legais que sustentem essa cooperação. O presidente também disse que a política adotada permitiria reduzir preços internacionais do petróleo e direcionar recursos financeiros à Venezuela.

As declarações ocorreram poucas horas depois de integrantes da administração norte-americana informarem que os Estados Unidos planejam assumir, por tempo indeterminado, o controle da comercialização do petróleo venezuelano. Segundo autoridades ouvidas pelo jornal, a iniciativa integra um plano em três fases apresentado pelo secretário de Estado Marco Rubio a parlamentares no Congresso.

O plano prevê que Washington centralize decisões sobre exportação e contratos de venda de petróleo, em coordenação com as autoridades interinas da Venezuela. A proposta recebeu apoio de parlamentares republicanos, enquanto democratas alertaram para o risco de uma intervenção prolongada sem base legal clara e para possíveis impactos diplomáticos e financeiros de longo prazo.

Durante a entrevista, Trump não indicou quando os Estados Unidos deixariam de exercer a supervisão. “Só o tempo dirá”, disse. Ele também evitou assumir compromissos sobre a realização de eleições na Venezuela ou sobre a transição política no país.

O presidente foi questionado sobre o reconhecimento da vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez como líder interina, em vez de apoiar nomes da oposição. Trump não respondeu de forma direta, mas afirmou que Rubio mantém contato frequente com a dirigente. “Estamos em comunicação constante com ela e a administração”, declarou.

A entrevista ocorreu dias após a operação conduzida por forças dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, levados para Nova York para responder a acusações anunciadas pelo governo norte-americano. Trump voltou a celebrar a ação e disse que a operação foi planejada com antecedência, incluindo treinamentos em uma réplica do complexo onde Maduro se encontrava.

Segundo o presidente, havia preocupação de que a ação pudesse resultar em um fracasso. Ele comparou o risco ao episódio da tentativa de resgate de reféns no Irã, em 1980, durante o governo de Jimmy Carter. Trump também mencionou a retirada das tropas dos Estados Unidos do Afeganistão, ocorrida no governo de Joe Biden, como exemplo de operação que, em sua avaliação, teve consequências negativas.

Na mesma entrevista, Trump abordou outros temas de política internacional, como imigração, a guerra entre Rússia e Ucrânia, a Otan e a Groenlândia. Em um dos momentos, interrompeu a conversa para atender uma ligação do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, após declarações anteriores em que havia ameaçado ações contra o país por seu papel no tráfico internacional de drogas.

Após a ligação, que durou cerca de uma hora, Trump ditou uma mensagem para suas redes sociais afirmando que Petro telefonou para discutir o combate ao narcotráfico e que foi convidado a visitar Washington. O contato indicou uma redução temporária das tensões entre os dois governos.

As declarações de Trump ao New York Times ampliam a repercussão internacional da estratégia anunciada para a Venezuela e reforçam a incerteza sobre a duração e o alcance da presença dos Estados Unidos no país sul-americano, em um cenário marcado por questionamentos jurídicos, reações diplomáticas e debates no Congresso norte-americano.

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