Vice-presidente diz que pacto comercial gerará empregos para o Brasil
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou, nesta sexta-feira (9), que o governo brasileiro trabalha com a expectativa de que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entre em vigor ainda neste ano de 2026. A declaração foi feita após a confirmação da aprovação política do tratado pelos países da UE, um marco histórico após mais de 25 anos de negociações.
O pacto, que criará uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo, reunindo mercados de mais de 722 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto superior a US$ 22 trilhões, é considerado um contraponto ao cenário de tensões geopolíticas e isolacionismo comercial.
Alckmin explicou que, após a assinatura formal prevista para os próximos dias, o acordo precisa ser “internalizado” – ou seja, aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos Congressos nacionais dos países do Mercosul. O governo brasileiro tem pressa: se o Congresso Nacional aprovar o texto no primeiro semestre, o Brasil poderá usufruir dos benefícios tarifários mesmo sem a ratificação dos outros parceiros sul-americanos.
Estimativas de impacto
Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) projetou que o acordo tem potencial para aumentar o PIB brasileiro em 0,46% até 2040, o equivalente a cerca de US$ 9,3 bilhões. O Brasil seria o principal beneficiário econômico entre os países analisados, com ganhos superiores aos do restante do Mercosul e da própria União Europeia.

A aprovação pelo Conselho da União Europeia ocorreu por “ampla maioria” dos Estados-membros, embora países como França, Polônia, Irlanda, Áustria e Hungria tenham votado contra, temendo a concorrência de produtos agropecuários sul-americanos. A virada decisiva veio com o apoio da Itália, que assegurou a maioria qualificada necessária.
Para Alckmin e o governo Lula, o acordo representa uma vitória do multilateralismo em um momento global “difícil, de instabilidade e de conflitos”. Ele contrasta com a política externa agressiva e medidas protecionistas de outras potências, como os Estados Unidos.


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