Trump cancela novo ataque à Venezuela e mira no México
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira ter cancelado uma segunda onda de ataques militares contra a Venezuela, citando como motivos a cooperação do país em projetos petrolíferos e a libertação de presos políticos.
Em publicação nas redes sociais, Trump declarou que a ação militar planejada foi suspensa porque as autoridades venezuelanas libertaram um “grande número” de prisioneiros e estão “buscando a paz”.
Apesar do anúncio, Trump afirmou que a frota naval dos EUA no Caribe permanecerá na região, mantendo a “capacidade de atacar a Venezuela em curto prazo”. “Todos os navios permanecerão em seus postos por questões de segurança”, disse.
Encontro com a oposição e ameaças regionais
Trump também revelou planos de se reunir em breve com a líder oposicionista venezuelana María Corina Machado, após tê-la criticado publicamente no fim de semana anterior.
O presidente ainda ameaçou expandir as operações militares na região, declarando que irá “começar agora a atacar os cartéis”, que, segundo ele, “controlam o México”. Trump admitiu pressionar a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, para permitir o envio de tropas americanas ao país, proposta já rejeitada anteriormente.
Sheinbaum afirmou na segunda-feira que as Américas “não pertencem” a nenhuma potência, depois de Trump ter invocado o “domínio” de Washington sobre o hemisfério após a prisão de Maduro.
As declarações de Trump geraram alarme entre líderes latino-americanos. O presidente colombiano, Gustavo Petro, revelou que Trump lhe disse estar “pensando em fazer coisas ruins na Colômbia”. Petro afirmou ao jornal El País que acreditava na possibilidade de sofrer um destino semelhante ao de Maduro caso não se alinhasse a certos interesses.
Petro discursou para multidões em Bogotá em uma das várias manifestações que convocou em todo o país na última quarta-feira. Os protestos, disse Petro, eram uma defesa contra as ameaças de Trump.
“Mas o que usamos aqui é a defesa popular, e é por isso que convoquei a resistência popular na quarta-feira”, disse ele, acrescentando que acreditava que a ameaça da Casa Branca contra a Colômbia havia, por ora, “suspenso – mas posso estar enganado”.