A vitória de Coutinho sobre a Lava Jato da Paraíba

Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba, e sua esposa, Amanda Rodrigues

A destruição promovida pela Lava Jato atingiu vários setores estratégicos nacionais.

Na economia, praticamente dizimou todas as gigantes da engenharia brasileira, especialmente as que tinham contratos internacionais, isolando o Brasil dos grandes mercados globais de obras de infraestrutura. Além disso, eliminou mais de 4 milhões de empregos, produzindo um prejuízo financeiro e social ao país que demoraremos uma ou duas gerações para superar.

Na política, prendeu Lula, elegeu Bolsonaro e gerou uma onda de governadores de extrema direita em todo o país, além de encher o parlamento de extremistas.

Mais do que isso, criou um sentimento de ódio à política e à democracia que até hoje envenena o debate público. A Operação Calvário, conhecida como “Lava Jato Paraibana”, foi uma das expressões regionais mais sinistras desse fenômeno.

Entretanto, mais devagar do que gostaríamos, a cultura lavajatista vai sendo esmagada e relegada ao lixo da história. Novas empresas de engenharia estão avançando, e as tradicionais, diretamente atingidas, começam a se recuperar.

Na política, Lula retornou à presidência em 2022 com 60,3 milhões de votos e tem grandes chances de conquistar o quarto mandato em 2026.

Nos estados, a novidade é a vitória do ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, num dos processos mais brutais de todos.

Em uma decisão demolidora para o culto lavajatista, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou o trancamento da principal ação penal da Operação Calvário contra o ex-governador. A decisão desmonta a denúncia de que Coutinho chefiava uma organização criminosa no Hospital de Trauma, apontando que o processo se sustentava quase exclusivamente em colaborações premiadas frágeis e sem provas concretas.

O voto do decano expõe que a narrativa acusatória foi construída a partir de depoimentos manipulados, em que delatores passaram a confirmar o que outros já haviam dito, criando uma aparência artificial de coerência, mas sem respaldo probatório independente.

Em entrevista ao Cafezinho, Coutinho explica a importância dessa decisão para a sua defesa. Com ela, pretende derrubar todos os processos subsidiários.

“Essa era a denúncia-mãe de toda Calvário. A que me acusava de chefiar uma orcrim [organização criminosa] de 35 pessoas onde mais da metade nunca vi antes e nem agora”, afirma.

A vitória no STF, segundo ele, “desmonta a Operação que foi construída em cima de uma narrativa multiplicada infinitamente pela mídia e sem qualquer prova que apontasse superfaturamento, algum dinheiro ilegal descoberto ou qualquer sinal de enriquecimento ilícito”.

Coutinho também menciona que “existem outras ações mas tudo derivado dessa, o que faz parte de uma estratégia de sufocar as pessoas acusadas e fazer com que elas não consigam nem pagar advogados, pois os bens e contas foram bloqueados”.

Com a decisão, Ricardo Coutinho reafirma que agora é pré-candidato a deputado federal e busca retomar sua carreira política. “Liberado, eu já estava. Sou candidato”, declarou.

Além disso, Coutinho tem divulgado um texto emocionado sobre o que significa essa notícia para ele e sua família:

“Hoje é um dia em que a verdade chega, vence e liberta. Foram seis anos de uma narrativa em forma de denúncia, construída para destruir reputações e um projeto político que sempre esteve ao lado do povo da Paraíba. Durante esse tempo, eu nunca deixei de afirmar a verdade: SOU INOCENTE. Mas ninguém passa seis anos sob perseguição sem pagar um preço. E o preço que pagamos não está nos autos de um processo. Está na vida.

Nesse caminho de dor e resistência, eu perdi dois filhos. Henri, que está vivo, mas que o ódio de quem deveria ser justo e legalmente correto, no exercício da magistratura, afastou de mim há três anos. E Vinícius, meu filho que vi nascer com apenas cinco meses de gestação e viveu por poucos instantes — a única causa detectável para o fim da gestação foi a opressão e a tortura psicológica que Amanda, e nós, vivenciamos. E não fui só eu.

Dos denunciados, muitos perderam familiares. Pessoas que partiram sem ver a reparação de toda injustiça.

Tenho noção de que essas forças que instrumentalizam o sistema judiciário para perseguir e alterar a política continuam vivas e não mudaram de opinião. Também sei que outros companheiros que tiveram a coragem, ao meu lado, de fazerem a Paraíba melhor, foram perseguidos pela Calvário da mesma forma que eu fui. Apenas com uma narrativa repetida milhares de vezes pela mídia sem que se dessem ao mínimo trabalho de questionar o óbvio: cadê as provas?

Com a decisão do Supremo Tribunal Federal, a Justiça começa a ser restabelecida. Mas quero deixar algo muito claro: essa não pode ser a última vitória.

As próximas serão vitórias políticas e históricas, dedicadas ao povo da Paraíba, que foi traído, enganado e manipulado por aqueles que transformaram a Justiça e a Mídia em instrumentos de perseguição e o ódio em método de ação política.

E é por isso que sigo de cabeça erguida, com a consciência tranquila e com a certeza de que nenhuma mentira resiste para sempre. Essa é a minha luta. Essa é a minha vida.”

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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