A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, realizou uma série de conversas diplomáticas de alto nível para denunciar o que classifica como uma “grave agressão criminal, ilegal e ilegítima” contra o país. Os contatos ocorreram no contexto de um escalar de tensões que, segundo o governo venezuelano, incluiu ataques armados com mais de uma centena de mortos e a violação da imunidade pessoal do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.
A ofensiva diplomática ocorre em meio a um cenário de pressão máxima dos Estados Unidos sobre Caracas. Nos últimos meses, além de sanções econômicas severas, houve ameaças públicas de figuras como o ex-presidente Donald Trump sobre a possibilidade de uma intervenção militar para “controlar” a Venezuela. Ameaças de sequestro do presidente Maduro por forças estrangeiras também foram ventiladas em círculos extremistas, enquanto ações como o aprisionamento de navios e o desvio de cargas de petróleo venezuelano por aliados de Washington foram reportadas, configurando um cenário que analistas descrevem como de guerra híbrida.
Em comunicado divulgado através de sua conta no Telegram, Rodríguez detalhou os interlocutores: o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente da Colômbia, Gustavo Petro; e o chefe do governo da Espanha, Pedro Sánchez. O objetivo foi informar “detalhadamente sobre os ataques armados contra nosso território” e as “graves violações ao Direito Internacional”.
Cooperação e Condenação
A chanceler agradeceu especificamente a Lula e ao povo brasileiro “pelo acompanhamento e o apoio brindado a Venezuela nos momentos mais críticos tras a agressão sofrida”. Com o líder colombiano, Gustavo Petro, a conversa serviu para ratificar que ambos os países são “irmãos, comprometidos em avançar juntos para enfrentar e resolver os problemas que nos afetam em comum”.
Já com o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, Rodríguez “agradeceu a valente postura do Governo da Espanha condenando a agressão contra Venezuela” e manifestou interesse em construir “uma agenda bilateral ampla e benéfica para ambos os povos e governos”.
Diplomacia como Resposta
Apesar da gravidade das acusações, a mensagem oficial reafirma a intenção de Caracas de conduzir a crise pelo caminho do diálogo. “Reafirmé que Venezuela continuará enfrentando esta agressão por a via diplomática, fiel aos princípios da Diplomacia Bolivariana de Paz, como único caminho para a defesa de nossa soberania e a preservação da paz”, declarou Rodríguez.
As gestões de Caracas buscam isolar internacionalmente as ações mais duras contra o governo de Maduro, tentando capitalizar o desgaste da política de máxima pressão e obter um freio por parte de aliados regionais e europeus dos Estados Unidos. O sucesso desta mobilização pode definir os próximos capítulos de uma crise que permanece no centro geopolítico da região.


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