A China deu mais um passo no desenvolvimento de aeronaves não tripuladas de grande porte com o voo inaugural do Tianma-1000, uma aeronave de transporte não tripulada com capacidade para até uma tonelada de carga. O primeiro voo ocorreu no domingo e foi divulgado pela agência estatal Xinhua, marcando um avanço relevante no segmento de logística aérea e operações de emergência no país.
O Tianma-1000 foi desenvolvido de forma independente pela Xi’an Aisheng Technology Group Co., empresa afiliada ao China North Industries Group Corp.. Segundo as informações oficiais, a aeronave foi concebida como uma plataforma de transporte de médio porte e baixo custo, capaz de operar em terrenos complexos, incluindo áreas de planalto, com exigência de distâncias ultracurtas para decolagem e pouso.
Plataforma multifuncional de transporte
O projeto do Tianma-1000 integra diferentes funções operacionais, como transporte logístico, resgate de emergência e entrega de materiais. Uma de suas principais características é a possibilidade de rápida alternância entre modos de transporte de carga convencional e lançamento aéreo de suprimentos. Essa flexibilidade é viabilizada por um compartimento de carga modular, que permite adaptar a aeronave a diferentes tipos de missão em curto espaço de tempo.
De acordo com os dados técnicos divulgados, a aeronave possui carga útil máxima de uma tonelada — equivalente, segundo os desenvolvedores, ao peso de um automóvel de passeio padrão — e alcance máximo de aproximadamente 1.800 quilômetros. Essa combinação permite transportar grandes volumes de suprimentos em uma única missão, reduzindo a necessidade de múltiplos voos em operações críticas.
Aplicações em áreas remotas e emergências
O Tianma-1000 foi projetado para atender cenários em que o transporte terrestre é limitado ou inviável. Entre as aplicações destacadas estão o reabastecimento de regiões remotas, operações de resgate em situações de desastre natural e a transferência urgente de materiais essenciais. Nessas condições, a aeronave pode entregar suprimentos suficientes para atender necessidades de vários dias, como alimentos, medicamentos e equipamentos de emergência.
Especialistas chineses do setor apontam que a combinação de grande capacidade de carga, autonomia elevada e operação não tripulada torna o modelo particularmente adequado para áreas de difícil acesso, onde aeronaves convencionais enfrentam restrições operacionais ou custos elevados.
Inserção na estratégia da economia de baixa altitude
O desenvolvimento do Tianma-1000 está alinhado à estratégia chinesa de fortalecimento da chamada “economia de baixa altitude”, conceito que abrange atividades econômicas realizadas no espaço aéreo de baixa altura, incluindo drones, aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL) e plataformas logísticas aéreas.
Em novembro de 2025, o governo chinês divulgou uma diretriz nacional voltada à aceleração de cenários de aplicação para novas tecnologias e produtos, com destaque para a expansão ordenada da economia de baixa altitude. O documento sinaliza apoio institucional à ampliação do uso comercial, logístico e industrial dessas aeronaves.
Segundo estimativas da Administração de Aviação Civil da China, o tamanho da economia de baixa altitude no país deverá atingir cerca de 1,5 trilhão de yuans em 2025 (aproximadamente US$ 215 bilhões) e ultrapassar 3,5 trilhões de yuans até 2035, refletindo o crescimento acelerado do setor.
Outros projetos de grande porte
O Tianma-1000 integra uma série de projetos recentes voltados ao desenvolvimento de grandes aeronaves de carga não tripuladas na China. Em março de 2025, outra aeronave de transporte não tripulada de grande porte, a TP1000, também desenvolvida internamente, realizou seu voo inaugural na província de Shandong, no leste do país, segundo a Xinhua.
Já em 10 de dezembro de 2025, a aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical AR-E800, desenvolvida pela Corporação da Indústria de Aviação da China, realizou seu primeiro voo na província de Jiangxi, igualmente no leste chinês. Esses projetos evidenciam a diversificação de plataformas voltadas tanto ao transporte quanto à mobilidade aérea avançada.
Expansão industrial e dados do setor
O avanço tecnológico ocorre em paralelo à rápida expansão do ecossistema industrial ligado à economia de baixa altitude. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação e noticiados pela CCTV em 4 de janeiro, até 30 de dezembro de 2025 um total de 1.081 empresas haviam concluído registro formal no setor.
Essas empresas respondem por 3.623 tipos de produtos registrados e mantêm mais de 5,29 milhões de unidades em estoque, indicando a rápida consolidação de uma cadeia produtiva voltada a drones, aeronaves não tripuladas e equipamentos associados.
Próximos passos
Autoridades do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação afirmaram que, durante o 15º Plano Quinquenal (2026-2030), a China pretende acelerar ainda mais a inovação tecnológica na indústria de equipamentos de baixa altitude. Entre as prioridades estão o fortalecimento das bases de segurança, o aprimoramento contínuo do sistema de padrões industriais e a promoção de aplicações inovadoras adaptadas às condições locais.
Com o voo inaugural do Tianma-1000, a China amplia seu portfólio de soluções aéreas não tripuladas de grande capacidade, reforçando sua posição no desenvolvimento de tecnologias voltadas à logística, à resposta a emergências e à expansão da economia de baixa altitude nos próximos anos.