Trump diz que Irã procurou os EUA para negociar, mas sinaliza sanções e ações mais duras

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (11) que o governo do Irã entrou em contato com Washington no sábado com o objetivo de iniciar negociações. Segundo o presidente norte-americano, a iniciativa partiu diretamente das autoridades iranianas, em um momento de forte tensão política interna em Teerã e de endurecimento do discurso dos Estados Unidos.

“Eles ligaram ontem. O Irã ligou para negociar”, declarou Trump ao comentar o episódio. As afirmações foram divulgadas pela CNN, que acompanha os desdobramentos da crise entre os dois países e as discussões em curso dentro do governo norte-americano sobre os próximos passos em relação a Teerã.

De acordo com Trump, o contato indicaria um desgaste das lideranças iranianas diante da postura adotada por Washington. Em tom duro, o presidente afirmou que o governo do Irã estaria buscando diálogo por considerar insustentável o atual nível de pressão. “Os líderes do Irã querem negociar. Acho que eles estão cansados de apanhar dos Estados Unidos. O Irã quer negociar conosco”, disse.

Contexto de tensão crescente

As declarações ocorrem poucos dias após Trump ter afirmado a jornalistas que os Estados Unidos poderiam “intervir” caso o governo iraniano recorresse à violência contra manifestantes. O país vive uma onda de protestos que, segundo observadores internacionais, já é considerada uma das maiores desde os ciclos de manifestações registrados em 2022 e 2023.

A escalada da crise interna no Irã tem sido acompanhada de um bloqueio quase total da internet, confrontos frequentes entre manifestantes e forças de segurança e um discurso cada vez mais agressivo por parte de autoridades iranianas e norte-americanas. O governo de Teerã decretou recentemente dias de luto nacional em meio ao aumento do número de mortos nos confrontos, enquanto grupos de oposição afirmam que as vítimas incluem tanto integrantes das forças de segurança quanto civis.

Nesse cenário, a retórica de Washington ganhou novos contornos. Segundo a CNN, Trump avalia diferentes caminhos de atuação, que vão desde o endurecimento das sanções econômicas até a possibilidade de ações militares, caso a situação no Irã se agrave ou haja repressão em larga escala aos protestos.

Opções em análise nos EUA

De acordo com informações divulgadas pela emissora norte-americana, entre as alternativas consideradas pela Casa Branca estão medidas direcionadas contra autoridades do governo iraniano e contra setores estratégicos da economia do país. Áreas como o setor energético e o sistema bancário figuram entre os alvos potenciais de novas sanções, numa tentativa de ampliar a pressão econômica sobre Teerã.

O Irã já enfrenta restrições severas impostas pelos Estados Unidos e por aliados ocidentais, especialmente relacionadas ao comércio de petróleo, ao acesso ao sistema financeiro internacional e a transações em dólar. Ainda assim, o governo Trump avalia que há espaço para um novo pacote de sanções, caso considere que as lideranças iranianas não respondem de forma satisfatória às exigências de Washington.

Apesar do tom agressivo, Trump não detalhou o conteúdo das conversas nem indicou se as negociações avançaram para um estágio mais formal. Também não ficou claro se o contato mencionado envolveu canais diplomáticos oficiais ou interlocutores informais ligados aos governos dos dois países.

Reações e incertezas

Até o momento, autoridades iranianas não confirmaram publicamente a versão apresentada por Trump sobre o contato direto para negociar. O silêncio de Teerã mantém o clima de incerteza em torno das declarações do presidente norte-americano e levanta dúvidas sobre a disposição real das partes para iniciar um processo de diálogo estruturado.

Analistas ouvidos pela imprensa internacional observam que, historicamente, anúncios feitos por Trump sobre negociações com adversários geopolíticos costumam ter forte componente político e estratégico. Em alguns casos, essas declarações antecederam encontros diplomáticos formais; em outros, serviram como instrumento de pressão adicional antes da adoção de medidas mais duras.

No caso do Irã, especialistas destacam que qualquer negociação envolveria temas sensíveis, como o programa nuclear iraniano, a política regional de Teerã no Oriente Médio e a resposta do governo às manifestações internas. Esses pontos têm sido centrais nas divergências entre os dois países ao longo dos últimos anos.

Pressão internacional

A crise no Irã também ganhou dimensão internacional. Além das declarações de Trump, governos europeus e organizações de direitos humanos acompanham de perto a situação, especialmente diante de relatos de mortes em protestos e restrições severas à liberdade de comunicação. A convocação de diplomatas e protestos em embaixadas iranianas no exterior ampliaram a visibilidade do conflito.

Enquanto isso, a Casa Branca mantém em aberto todas as opções. Segundo a CNN, Trump tem sido informado regularmente por assessores de segurança nacional sobre o cenário no Irã e sobre possíveis consequências de cada alternativa em análise. A combinação de pressão econômica, ameaça de intervenção e eventual abertura para negociação compõe, neste momento, a estratégia norte-americana.

Sem confirmação oficial por parte de Teerã, as declarações de Trump adicionam um novo elemento à já complexa relação entre Estados Unidos e Irã. Resta saber se o contato citado resultará em negociações concretas ou se servirá apenas como mais um capítulo na escalada retórica e diplomática entre os dois países.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.