“Soa bem para mim!”, comentou presidente dos EUA em sua rede social ao compartilhar postagem prevendo que “Marco Rubio será presidente de Cuba”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu neste domingo (11/01) que seu secretário de Estado, Marco Rubio, poderia ser um futuro líder de Cuba, enquanto impunha um ultimato ao governo de Havana para que “faça um acordo” com Washington.
As declarações, feitas nas redes sociais, marcam um momento de tensão crescente na região, uma semana após uma operação militar dos EUA capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Em sua plataforma Truth Social, Trump republicou um post de um usuário que dizia: “Marco Rubio será presidente de Cuba”. O presidente americano acrescentou apenas: “Parece-me ótimo!”. O comentário, embora possa ter um tom de brincadeira, aprofunda uma piada recorrente nas redes sociais sobre os múltiplos papéis acumulados por Rubio no governo Trump.
Em uma publicação subsequente, Trump foi direto ao ponto com Cuba: “NÃO HAVERÁ MAIS PETRÓLEO OU DINHEIRO PARA CUBA – ZERO!”. Ele acusou a ilha de ter vivido por anos de “grandes quantidades de PETRÓLEO e DINHEIRO da Venezuela” em troca de fornecer “serviços de segurança” aos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.
Com a queda de Maduro, Trump declarou que esse fluxo cessou e advertiu: “Sugiro fortemente que façam um acordo, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS”. O presidente dos EUA não especificou os termos desse acordo nem as consequências da recusa.
A reação cubana e o histórico de Rubio
O governo cubano reagiu com firmeza. O presidente Miguel Díaz-Canel afirmou no X que “Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos diz o que fazer”. Ele atribuiu as dificuldades econômicas da ilha ao embargo norte-americano. O chanceler Bruno Rodríguez negou que Cuba recebesse compensação financeira pelos serviços de segurança e afirmou que o país tem “o direito absoluto de importar combustível” sem interferência.
Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos e uma figura central na política latino-americana de Trump, já havia dito na véspera que, se fosse um funcionário do governo em Havana, “estaria preocupado”. Para ele, Cuba “está com muitos problemas”. Rubio foi peça-chave na articulação da operação que capturou Maduro e agora é visto por Trump como parte do grupo que ajudará a “administrar” a Venezuela no período pós-intervenção.
Contexto regional ampliado
As ameaças a Cuba fazem parte de uma postura mais ampla e assertiva da administração Trump na América Latina, que o próprio presidente batizou de “Doutrina Donroe”, uma versão atualizada da antiga Doutrina Monroe. Além de Cuba, Trump recentemente fez comentários ameaçadores aos presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e do México, Claudia Sheinbaum, indicando uma disposição de intervir em outros países da região.
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A situação permanece volátil. O Departamento de Estado dos EUA emitiu um alerta de segurança para cidadãos americanos na Venezuela, enquanto o governo interino venezuelano nega quaisquer riscos à segurança. O futuro das relações EUA-Cuba, após este ultimato, parece caminhar para um período de confronto e incerteza acentuada.