Violência de colonos na Cisjordânia dispara, revela exército israelense

AFP/Zain Jaafar

Segundo relatório do exército israelense, dados mostram 845 incidentes em 2025, com quatro palestinos mortos e 200 feridos. Expansão de fazendas ilegais e impunidade são apontadas como fatores-chave para o aumento da violência

A violência de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia ocupada aumentou 25% em 2025. Os dados são de um relatório interno das Forças de Defesa de Israel (IDF), obtido pelo jornal Haaretz. No ano passado, foram registrados 845 incidentes violentos. Esses ataques resultaram na morte de quatro palestinos e deixaram pelo menos 200 feridos.

Em 2024, haviam sido contabilizados 675 casos. Esses incidentes culminaram na morte de seis palestinos e em ferimentos para outros 149. O aumento levou comandantes militares a questionarem a capacidade da polícia israelense de conter a situação. Há alertas de que mais ataques podem forçar o deslocamento maciço de tropas para a região.

A cidade de Nablus foi o epicentro da violência, concentrando um terço de todos os incidentes registrados. Hebron e Ramallah aparecem em seguida, cada uma com 19% dos casos. O relatório do exército israelense estabelece uma ligação direta entre os ataques e a aceleração na criação de fazendas ilegais.

Desde outubro de 2023, 90 novas dessas fazendas foram estabelecidas em terras palestinas. O total agora chega a 120. Um alto oficial de defesa israelense afirmou ao Haaretz: “Quem ignorar a criação de quase 100 novas fazendas desde o início da guerra não deve se surpreender com o aumento de incidentes de atrito nacionalista e crimes”. Segundo os militares, jovens violentos que vivem nesses locais estão na linha de frente dos ataques.

Críticas de Olmert e resposta de Netanyahu

O ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert acusou o governo atual de permitir ativamente a violência. “Não há outra forma de definir o que está acontecendo nos territórios a não ser como uma guerra violenta e assassina”, declarou. Olmert, que comandou o país entre 2006 e 2009, afirmou que os ataques são “planejados para levar gradualmente à limpeza étnica”.

Ele destacou que grupos armados de colonos operam com quase total impunidade, frequentemente à vista das forças de segurança. “O fato de que, na grande maioria dos casos, os manifestantes não são detidos não é coincidência. Eu diria — com toda a responsabilidade — que essa é a política do governo”, acusou. Olmert apontou a suspensão da detenção administrativa para suspeitos judeus como um sinal que encorajou a violência.

Em contraste, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu minimizou a gravidade do problema. Dias antes das declarações de Olmert, ele afirmou que apenas “um punhado de crianças” era responsável. “São cerca de 70 crianças… que fazem coisas como cortar oliveiras e, às vezes, tentam incendiar uma casa”, disse Netanyahu.

Tendência alarmante

O aumento da violência na Cisjordânia ocorre em paralelo à guerra em Gaza. Dados da ONU indicam que a violência de colonos deslocou à força mais de 3.200 palestinos desde outubro de 2023. Em outubro de 2025, a ONU registrou mais de 260 ataques – o maior número mensal desde o início do monitoramento, em 2006.

O relatório do exército israelense vai além de culpar indivíduos isolados. Ele aponta que grandes grupos organizados, com apoio de políticos e figuras proeminentes da direita israelense, estão por trás da escalada. Esta estruturação confere um caráter sistemático e político à onda de violência, complicando ainda mais qualquer perspectiva de solução no curto prazo.

A divergência entre a avaliação severa do exército, as críticas contundentes de uma ex-liderança e a narrativa minimizadora do governo atual revela uma profunda fissura na sociedade israelense sobre como lidar com a ocupação e a violência na Cisjordânia. Enquanto isso, a vida e a segurança das comunidades palestinas seguem sob grave ameaça.

Com informações do Middle East Eye em 12/01/2026

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