China constrói prédio de 10 andares em pouco mais de um dia e mostra avanço da construção modular

A construção civil voltou a chamar atenção internacional após a divulgação de um edifício de dez andares montado em pouco mais de 24 horas na China. O caso reacendeu o debate sobre a construção modular industrializada, modelo que transfere grande parte do trabalho do canteiro para fábricas, onde módulos são produzidos em ambiente controlado e posteriormente montados no local da obra com alto grau de precisão.

Embora o tempo de montagem em campo impressione, especialistas destacam que o processo é resultado de semanas — ou até meses — de planejamento, projeto integrado e produção seriada. O cronograma reduzido no local não significa improviso, mas sim a etapa final de um sistema industrial altamente coordenado, no qual tolerâncias de encaixe, logística e controle de qualidade são definidos com antecedência.

Produção em fábrica e montagem precisa

No modelo modular, cada unidade do edifício é fabricada como um “bloco” tridimensional ou painel estrutural. Esses módulos passam por rigorosos controles de qualidade ainda na fábrica, incluindo ensaios de resistência, verificações de segurança e testes de desempenho. Em muitos casos, chegam ao canteiro com instalações elétricas, hidráulicas e de climatização parcialmente concluídas.

A obra, então, assume o papel de área de montagem. Guindastes içam os módulos, que são conectados mecanicamente conforme uma sequência pré-definida. Após a instalação, são realizados procedimentos de fixação, vedação, selagem acústica e acabamentos finais, garantindo integridade estrutural, conforto e durabilidade da edificação.

Segundo engenheiros envolvidos em projetos semelhantes, a velocidade observada na China só é possível porque o trabalho mais complexo já foi realizado fora do canteiro. “O que se vê em poucas horas é o resultado visível de um processo longo e altamente planejado”, afirmam profissionais do setor.

Etapas do sistema modular

A construção modular segue uma cadeia produtiva padronizada, que aproxima a construção civil de um modelo industrial:

Projeto padronizado: definição de módulos repetíveis, com conexões compatíveis e integração entre disciplinas.
Produção em fábrica: fabricação seriada com inspeções contínuas e rastreabilidade de materiais.
Logística planejada: transporte dos módulos com rotas, horários e equipamentos previamente definidos.
Sequência de montagem: içamento e conexão dos módulos conforme cronograma rígido.
Integração final: ligação das redes, selagem de juntas e verificação de desempenho do edifício.

Essa lógica reduz retrabalhos e minimiza imprevistos, um dos principais gargalos das obras tradicionais.

Vantagens em prazo, qualidade e impacto urbano

A principal vantagem da construção modular rápida é a redução significativa do tempo de obra no local, o que diminui custos indiretos, interferências no entorno e exposição a condições climáticas adversas. Como grande parte das etapas ocorre em ambiente controlado, há maior previsibilidade de prazos e qualidade mais uniforme.

Outro benefício é a organização do canteiro. Com menos atividades simultâneas, há redução de resíduos, menor circulação de trabalhadores e menos impacto para a vizinhança, fator relevante em áreas urbanas densas. A padronização também facilita inspeções repetitivas e controle rigoroso dos materiais utilizados.

Limites e desafios do modelo

Apesar dos ganhos, a construção modular não é aplicável a todos os contextos. A necessidade de padronização limita projetos altamente personalizados ou terrenos com geometrias muito irregulares. Além disso, o transporte de módulos de grandes dimensões exige infraestrutura viária adequada e janelas logísticas específicas, o que pode restringir sua adoção em algumas regiões.

Outro desafio está no ambiente regulatório. A difusão em larga escala depende de normas técnicas atualizadas, marcos regulatórios claros e mão de obra especializada em montagem, inspeção e manutenção desses sistemas. Sem esse suporte institucional, o modelo tende a permanecer restrito a projetos específicos.

Tendência para o futuro da construção civil

Casos como o edifício chinês montado em pouco mais de um dia indicam uma tendência de maior industrialização da construção civil, apoiada por digitalização de projetos, uso de modelos BIM, coordenação logística e produção em massa de componentes.

Esse modelo vem ganhando espaço em setores como habitação, saúde e educação, especialmente em situações emergenciais ou em programas de expansão rápida de infraestrutura. No entanto, especialistas alertam que a avaliação dessas obras no longo prazo deve ir além da velocidade de montagem.

Durabilidade, eficiência energética, flexibilidade de uso e impacto urbano passam a ser critérios tão relevantes quanto o tempo recorde de execução. Assim, a rapidez deixa de ser um fim em si mesma e passa a integrar um sistema mais amplo, baseado em planejamento rigoroso, padronização e controle industrial — elementos que podem redefinir o futuro da construção civil em escala global.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.