Com 50 leilões até 2025, governo Lula supera Bolsonaro e FHC e redefine o papel do Estado ao abrir espaço ao investimento privado em infraestrutura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva impulsiona o maior número de concessões de infraestrutura no Brasil. Seu mandato atual termina em 2025 com 50 leilões de rodovias, portos e aeroportos. Esse total ultrapassa as marcas de Jair Bolsonaro e Fernando Henrique Cardoso. Especialistas destacam que Lula adota uma visão pragmática para atrair investimentos privados em meio a restrições fiscais.
O governo Lula concentra quase um terço das concessões federais desde 1995. Naquele ano, a Lei das Concessões entrou em vigor. Desde então, o Brasil realizou 160 leilões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Agora, 50 desses ocorreram entre 2023 e 2025.
Bolsonaro gerenciou 45 leilões durante seu mandato de 2019 a 2022. Já FHC conduziu 26, com 22 no primeiro mandato, de 1995 a 1998. Assim, Lula lidera o ranking. Embora a esquerda critique historicamente a redução do papel estatal, o atual governo acelera esse modelo no setor de infraestrutura.
Especialistas atribuem o aumento à necessidade de investimentos em tempos de contas públicas apertadas. Além disso, projetos atrativos e um ambiente regulatório maduro impulsionam o processo. O ministro dos Transportes, Renan Filho, explica: “O presidente percebeu que, para ampliar o investimento, era importante aumentar a participação da iniciativa privada dadas as restrições fiscais”.
Destaque para o setor portuário
O setor portuário domina as concessões no mandato de Lula. O governo concedeu 26 terminais desde o início. Esses projetos totalizam R$ 15,5 bilhões em investimentos, segundo o Ministério dos Portos e Aeroportos.
Em 2026, o mercado espera ansiosamente pelo leilão do Tecon 10. Esse megaterminal de cargas no porto de Santos prevê R$ 6,5 bilhões em investimentos. Portanto, o foco em portos fortalece a economia e cria empregos.
Avanços nas rodovias
As rodovias seguem logo atrás, com 22 leilões. Desses, 13 aconteceram só em 2025. O Ministério dos Transportes calcula R$ 247 bilhões em investimentos nesses projetos. Para 2026, planejam licitar outras 13 rodovias.
Além disso, o governo relicitou o aeroporto de Natal e concedeu um bloco de terminais aeroportuários regionais. Esses completam os 50 leilões. Assim, Lula diversifica as ações para melhorar a infraestrutura nacional.
Evolução dos projetos ao longo dos anos
Nos últimos 30 anos, os projetos mudaram de perfil. Por exemplo, as ferrovias brilharam no governo FHC. Naquela época, ocorreram 9 dos 12 leilões totais desde 1995. No entanto, alguns ativos enfrentaram problemas, como a FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), concedida em 1996.
A FCA sofreu com conservação precária e abandono. Recentemente, o governo negociou uma renovação. A concessionária assumiu compromissos de investimentos e indenização à União. Hoje, renegociações como essa movimentam o setor ferroviário.
Novos projetos de ferrovias escasseiam. A infraestrutura cara e a concorrência com rodovias prejudicam os trilhos. A última concessão veio em 2021, sob Bolsonaro, para um trecho da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste).
Para reverter isso, o Ministério dos Transportes prepara oito leilões em 2026. Eles devem movimentar R$ 140 bilhões. Dessa forma, o governo Lula busca equilibrar os modais de transporte.
Ciclo nos aeroportos
Os aeroportos viveram um ciclo intenso, mas agora desaceleram. No primeiro mandato de Dilma Rousseff, de 2010 a 2014, concederam ativos atrativos como Guarulhos, Viracopos e Galeão.
Michel Temer destravou projetos durante a crise econômica e leiloou quatro aeroportos de 2016 a 2018. Bolsonaro intensificou e concedeu 49 aeroportos em nove leilões.
Renan Filho destaca o pragmatismo de Lula: “O presidente Lula, apesar de ser pessoalmente de esquerda, faz um governo de frente ampla. Ele nunca foi um político ideológico”. Essa abordagem atrai investimentos privados.
Investimentos privados em alta
Um levantamento da Abdib projeta recorde de investimentos privados em 2025. Dos R$ 280 bilhões previstos para infraestrutura, 84% (R$ 235 bilhões) vêm do setor privado. Isso representa um aumento real de 11% sobre 2024.
Enquanto isso, a participação pública diminui. Fernando Vernalha, sócio-fundador do escritório Vernalha Pereira, observa: o Brasil investe cerca de 2% do PIB em infraestrutura. O ideal seria acima de 4%.
Portanto, as concessões e PPPs se tornam essenciais. Vernalha elogia: o Brasil oferece oportunidades únicas, como no setor de aeroportos, que atraem grupos internacionais.
Renan Filho concorda. Poucos países combinam projetos atrativos com sustentabilidade ambiental, agências regulatórias autônomas e um mercado de capitais sofisticado.
Apesar dos sucessos, concessões enfrentam problemas. Algumas rodovias e aeroportos fracassaram com desequilíbrios financeiros, obras atrasadas e investimentos não realizados. Esses são “contratos estressados”.
O governo leiloou novamente quatro ativos rodoviários problemáticos. Pelo menos seis estradas ainda estão nessa situação. Em 2026, planejam certames simplificados para algumas.
Marco Aurélio Barcelos, diretor da ABCR, afirma: o setor rodoviário vive seu melhor momento. No entanto, desafios persistem, como melhorar seguros contratuais e agilizar licenciamentos ambientais.
Barcelos prevê: “Nunca vivemos no Brasil o que vamos viver nos próximos oito anos em termos de execução de investimentos. É muita obra que vai acontecer”. O mercado absorverá a demanda em 2026 e 2027, mas depois os leilões devem diminuir.
Assim, o governo Lula equilibra avanços com soluções para obstáculos, promovendo um desenvolvimento sustentável e inclusivo.