Em meio à divulgação internacional do filme O agente secreto, o ator Wagner Moura afirmou que a produção só foi possível por causa do contexto político vivido no Brasil entre 2018 e 2022, período do governo de Jair Bolsonaro. A declaração foi feita durante participação no programa americano The Daily Show, apresentado por Jordan Klepper.
Durante a entrevista, de cerca de 13 minutos, Moura comentou o reconhecimento do longa no Festival de Cannes e relatou que, ao receber um dos prêmios, chegou a mencionar Bolsonaro de forma irônica. “Eu agradeci a ele. Sem ele, não teríamos feito o filme”, disse o ator, ao explicar que a obra surgiu da inquietação compartilhada por ele e pelo diretor Kleber Mendonça Filho diante da conjuntura política brasileira naquele período.
Segundo Moura, O agente secreto nasceu da “perplexidade” provocada pelos acontecimentos políticos no país, que serviram de base para a construção da narrativa do filme, atualmente em circulação no circuito internacional.
Ainda na entrevista, o ator aproveitou para criticar a Lei da Anistia de 1979, defendendo que crimes cometidos durante a ditadura militar não devem ser esquecidos ou perdoados. “Existem coisas que não podem ser esquecidas e nem perdoadas”, afirmou.
Moura também avaliou que o Brasil começa a enfrentar um problema histórico relacionado à memória institucional. “O Brasil está, finalmente, superando um problema de memória ao mandar para prisão pela primeira vez pessoas que atentaram contra a democracia”, disse. Em seguida, acrescentou: “O próprio Bolsonaro está na prisão”.
A participação no The Daily Show integra a agenda de divulgação do filme nos Estados Unidos, onde Wagner Moura tem concedido entrevistas e participado de eventos para promover a produção brasileira.