A China pretende implementar, entre 2026 e 2030, um novo conjunto de medidas voltadas a estimular o consumo doméstico e enfrentar desequilíbrios considerados “proeminentes” entre oferta e demanda na economia. A informação foi divulgada nesta terça-feira (20) por autoridades do órgão estatal de planejamento, que indicaram o setor de serviços como eixo central da estratégia para os próximos cinco anos.
Segundo Wang Changlin, vice-diretor da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o atual desempenho econômico do país é marcado por uma assimetria persistente. “A questão de ter uma oferta forte, mas uma demanda fraca, na operação econômica atual é, de fato, um problema proeminente”, afirmou durante coletiva de imprensa em Pequim. De acordo com ele, ampliar o consumo interno tornou-se prioridade para sustentar o crescimento no médio prazo.
Os líderes chineses já haviam se comprometido a elevar de forma “significativa” a participação do consumo das famílias no Produto Interno Bruto ao longo do próximo quinquênio. Analistas, no entanto, avaliam que o objetivo será difícil de alcançar sem reformas estruturais mais profundas e estímulos diretos do lado da demanda.
Em 2025, a economia chinesa cresceu 5%, atingindo a meta estabelecida pelo governo. O resultado foi impulsionado principalmente pelo desempenho das exportações, que compensaram a fraqueza do consumo interno — um arranjo que, segundo economistas, tende a ser mais difícil de sustentar nos próximos anos. Os dados mostram que a produção industrial avançou 5,9% no ano passado, enquanto as vendas no varejo cresceram 3,7%, evidenciando o descompasso entre oferta e demanda.
Em outro compromisso público nesta terça-feira, o vice-ministro das Finanças, Liao Min, afirmou que o governo destinará mais recursos em 2026 para estimular o consumo e melhorar as condições de vida da população, sem detalhar o volume dos aportes. Mais cedo, o ministério anunciou a prorrogação, até o fim de 2026, de subsídios voltados a consumidores, empresas de serviços ao consumidor e companhias que necessitam de atualização de equipamentos, como forma de reativar a demanda doméstica.
De acordo com o Ministério das Finanças, a extensão dos incentivos busca “estimular ainda mais o consumo e expandir a demanda interna, continuar a reduzir o custo do crédito pessoal ao consumidor e aumentar a disposição dos residentes para gastar”. Em paralelo, o governo informou que concederá subsídios, por até dois anos, a empréstimos destinados a pequenas e médias empresas privadas a partir de 2026.
O pacote inclui ainda a criação de um plano de garantias no valor total de 500 bilhões de iuanes (US$ 71,83 bilhões), ao longo de dois anos, com o objetivo de impulsionar investimentos privados. As autoridades destacam que áreas como assistência a idosos, saúde e lazer oferecem amplo espaço para expansão e podem desempenhar papel relevante no reequilíbrio da economia.
Para Zhou Chen, também da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, a mudança de foco é clara. “O setor de serviços agora se tornou o foco principal dos esforços para expandir a demanda interna”, afirmou, ao indicar que o consumo deverá assumir protagonismo maior na estratégia de crescimento da China nos próximos anos.