Porta-voz da agência condena ‘ataque sem precedentes’ após bandeira israelense ser hasteada sobre o que resta do prédio da ONU, onde era a sede da UNRWA
A Agência das Nações Unidas para Refugiados da Palestina (UNRWA) condenou um “ataque sem precedentes” após forças israelenses demolirem sua sede em Jerusalém Oriental.
A ação foi liderada pelo ministro da Segurança Nacional israelense, Itamar Ben Gvir.
O complexo da agência foi invadido hoje por forças israelenses e bandeiras de Israel foram hasteadas sobre os escombros do prédio principal.
Ben Gvir, acompanhado pelo vice-prefeito de Jerusalém, Aryeh King, descreveu o ato como “um dia histórico para a soberania em Jerusalém” e prometeu ações semelhantes contra o que chamou de “apoiadores do terrorismo”. King, em declaração durante a demolição, fez ameaças contra o pessoal da agência.
A UNRWA reagiu com veemência. Philippe Lazzarini, comissário-geral da agência, afirmou que a demolição representa um “novo nível de desafio aberto e deliberado ao direito internacional” e um ataque sem precedentes contra uma organização da ONU. Ele alertou que o que aconteceu com a UNRWA pode acontecer com outras missões internacionais.
Adnan Abu Hasna, porta-voz da agência, destacou que nenhum país havia removido a bandeira da ONU de suas instalações como Israel fez. Ele afirmou que, devido a decisões israelenses, a UNRWA não tem mais sede, escritórios ou institutos no terreno, e acusou Israel de buscar “desmantelar a agência e eliminar a questão dos refugiados palestinos”.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel defendeu a ação, alegando que o local não tinha de imunidade diplomática, que a apreensão estava em conformidade com as leis e acusando a UNRWA de ter ligações com o grupo Hamas. O governo palestino classificou o ato como uma “escalada perigosa” e um ataque direto a uma agência protegida pela imunidade internacional.
O evento ocorre no contexto de uma lei aprovada pelo parlamento israelense em 2024, que proíbe a UNRWA de operar em Israel e nos territórios palestinos ocupados, revogando um acordo de 1967. Críticos consideram a medida uma violação da Carta da ONU e do direito internacional.
Especialistas e organizações humanitárias alertam que a proibição da UNRWA pode ter consequências catastróficas para milhões de refugiados palestinos que dependem de seus serviços essenciais, como alimentação, saúde e educação, principalmente na Faixa de Gaza. Há também o temor de que seja um passo para retirar o estatuto de refugiado dessa população. A agência atende cerca de 5,9 milhões de refugiados na região.
Com informações do Middle East Eye em 20/01/2026