AtlasIntel/Bloomberg também aponta alta rejeição a Lula e Flávio Bolsonaro

Uma pesquisa nacional divulgada nesta quarta-feira (21) pela AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, revela que os principais nomes do debate político brasileiro acumulam elevados índices de rejeição junto ao eleitorado. O levantamento indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) figuram entre os políticos com maior resistência popular, evidenciando a manutenção de um ambiente fortemente polarizado às vésperas da disputa presidencial de 2026. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.

De acordo com os dados, Lula apresenta rejeição de 49,7% dos entrevistados, índice muito próximo ao do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que lidera o ranking com 50%. Bolsonaro, no entanto, encontra-se inelegível por decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Logo atrás de Lula, aparece Flávio Bolsonaro, com 47,4% de rejeição, seguido por Michelle Bolsonaro, com 44,9%. Tarcísio de Freitas também registra um percentual elevado, com 41,1% dos eleitores afirmando que não votariam no governador paulista.

Os números indicam que, entre as principais lideranças nacionais e pré-candidatos ao Palácio do Planalto, a rejeição dificilmente fica abaixo de 40%, o que reforça a percepção de um eleitorado dividido e com alto grau de resistência aos nomes mais conhecidos do cenário político.

Outros nomes com rejeição elevada

Além dos principais protagonistas da polarização entre lulismo e bolsonarismo, a pesquisa também aponta índices expressivos de rejeição para outras figuras políticas. Renan Santos, do partido Missão, aparece com 45,6%, posicionando-se entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro no ranking geral. O dado chama atenção por colocá-lo em patamar semelhante ao de nomes mais consolidados no debate nacional.

Entre os governadores frequentemente citados como possíveis alternativas na corrida presidencial, Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, registra rejeição de 42,1%. Eduardo Leite (PSD), governador do Rio Grande do Sul, aparece com 41,7%, enquanto Ronaldo Caiado (União), de Goiás, soma 40,7%. Ratinho Jr. (PSD), do Paraná, apresenta o menor índice entre esse grupo, mas ainda elevado, com 39,9%.

O levantamento inclui ainda o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que tem rejeição de 36,9%, percentual inferior ao de outros nomes do campo governista e da oposição, mas ainda significativo. Já o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) aparece com 43,4% de rejeição, enquanto o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) registra 44,7%.

Impacto nos cenários eleitorais

Apesar dos altos índices de rejeição, os cenários simulados de intenção de voto indicam que Lula segue na liderança tanto no primeiro quanto no segundo turno. Nos confrontos diretos, o presidente mantém vantagem sobre Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, que apresentam desempenhos semelhantes entre si, mas não conseguem superar o petista, segundo a AtlasIntel.

Analistas avaliam que a elevada rejeição generalizada limita a capacidade de crescimento dos principais pré-candidatos, tornando o cenário eleitoral mais dependente da mobilização de bases consolidadas e da rejeição ao adversário do que da conquista de novos eleitores. Esse contexto tende a reforçar campanhas focadas na fidelização de eleitorados já alinhados, em detrimento de estratégias de ampliação de apoio.

Polarização persistente

Os dados da pesquisa reforçam a percepção de que a polarização continua sendo um dos elementos centrais da política brasileira. Lula e Jair Bolsonaro, mesmo com trajetórias distintas no momento — um no exercício da Presidência e outro inelegível — seguem como os nomes mais rejeitados, o que indica que o embate simbólico entre os dois campos políticos ainda exerce forte influência sobre o eleitorado.

Ao mesmo tempo, os altos índices de rejeição entre possíveis alternativas sugerem dificuldades para o surgimento de uma terceira via competitiva capaz de romper com a lógica binária que marcou as últimas eleições presidenciais. Mesmo governadores com avaliações positivas em seus estados enfrentam resistência significativa quando projetados no cenário nacional.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.418 eleitores entre os dias 15 e 20 de janeiro, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-02804/2026.

Os resultados oferecem um retrato do atual humor do eleitorado e indicam que, apesar da liderança de Lula nas intenções de voto, a disputa de 2026 deve ocorrer em um ambiente marcado por forte rejeição aos principais nomes, elevada polarização e dificuldades para a construção de consensos políticos mais amplos.

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