Lula adota cautela sobre convite de Trump para Conselho da Paz e critica decisões apressadas

Imagem: Daniel Torok/Casa Branca

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que encara com cautela o convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar um eventual Conselho da Paz. Em declaração durante agenda no município de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, Lula disse que não toma decisões de forma precipitada e recorreu a uma metáfora para reforçar a necessidade de ponderação em temas sensíveis da política internacional.

Segundo o presidente, decisões estratégicas não podem ser tomadas sob pressão ou em momentos de exaltação. Ele afirmou que não decide “com 39 graus de febre”, em referência à importância de avaliar cenários com serenidade antes de assumir compromissos de alcance global. A fala ocorreu em meio ao debate sobre a iniciativa anunciada por Trump, que tem sido recebida com reservas por diferentes líderes internacionais.

Lula aproveitou a ocasião para ampliar o discurso e fazer críticas ao que chamou de individualismo crescente na política contemporânea. Sem citar diretamente o presidente americano, afirmou que a construção de soluções para conflitos internacionais exige cooperação multilateral e respeito às instituições, e não ações unilaterais guiadas por interesses nacionais imediatos.

O presidente brasileiro também direcionou críticas à atuação de grupos políticos de direita, que, segundo ele, teriam estruturado uma verdadeira indústria de disseminação de desinformação. Para Lula, esse fenômeno compromete o debate público, enfraquece a democracia e dificulta a construção de consensos, tanto no plano doméstico quanto no cenário internacional.

Ao comentar o convite feito por Trump, Lula não confirmou nem descartou uma eventual participação do Brasil no conselho proposto, limitando-se a reiterar que qualquer decisão será tomada após análise cuidadosa do contexto, dos objetivos da iniciativa e de seus impactos para a política externa brasileira.

A declaração ocorre em um momento de intensificação das tensões diplomáticas envolvendo os Estados Unidos, especialmente em relação a aliados europeus, e de crescente debate global sobre mecanismos de mediação de conflitos e segurança internacional. Nesse cenário, o governo brasileiro tem reiterado a defesa do diálogo, do multilateralismo e da atuação responsável em fóruns internacionais.

Lucas Allabi: Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab
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