Após reunião com Otan, Trump afirma negociar controle ampliado sobre a Groenlândia

Imagem: REUTERS/Jonathan Ernst

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (22) que seu governo negocia um acordo para obter “acesso total” à Groenlândia, território autônomo ligado ao Reino da Dinamarca. A declaração foi dada em entrevista à rede Fox News, um dia após reuniões com autoridades da Otan, e ocorre em meio a reações do governo local, que rejeita qualquer negociação envolvendo soberania.

Segundo Trump, as conversas estão em andamento e não têm prazo definido para conclusão. Ele evitou detalhar os termos da proposta, mas voltou a defender a incorporação da ilha como parte de um projeto estratégico de segurança nacional dos Estados Unidos, citando a importância da região para a defesa aérea e o controle do Ártico. De acordo com o presidente, a Groenlândia seria peça central para a criação de um sistema de defesa batizado por ele de “Domo de Ouro”, inspirado no Domo de Ferro utilizado por Israel.

Em entrevista à apresentadora Maria Bartiromo, Trump afirmou que a posição geográfica da ilha a torna estratégica em um eventual cenário de conflito. Segundo ele, qualquer ameaça lançada contra o território norte-americano passaria pela região. O republicano também disse que ideias semelhantes já haviam sido discutidas durante o governo de Ronald Reagan, mas que, à época, a tecnologia necessária ainda não existia.

As declarações foram feitas após Trump discursar no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na quarta-feira (21). Na ocasião, ele voltou a mencionar o interesse na Groenlândia, mas afirmou que não pretende usar força militar para anexar o território. Mais tarde, em reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, o presidente disse que houve avanço em um entendimento entre os Estados Unidos e a aliança militar sobre o Ártico e a ilha.

De acordo com informações do jornal The New York Times, a proposta discutida inclui a cessão de áreas da Groenlândia para a instalação de bases militares norte-americanas. Os Estados Unidos já mantêm presença militar no território e possuem autorização para atuar na região em situações relacionadas à segurança.

Horas após as falas de Trump, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que está aberto a aprofundar a cooperação com os Estados Unidos, mas deixou claro que a soberania do território não está em negociação. Segundo ele, qualquer tentativa de transferência de controle político ou territorial representa uma “linha vermelha” para o governo local.

Nielsen elogiou a disposição do presidente norte-americano para o diálogo e reconheceu o interesse estratégico dos Estados Unidos na região, mas reiterou que a Groenlândia não aceitará abrir mão de sua autonomia. A posição foi reafirmada depois de Trump indicar que havia alcançado um entendimento com o secretário-geral da Otan sobre o futuro do território, o que gerou reações imediatas do governo groenlandês.

Lucas Allabi: Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab
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