Trump anuncia “estrutura” de acordo com Otan sobre Groenlândia e suspende tarifas europeias

Imagem: AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira em Davos que os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) avançaram na definição de uma “estrutura” de acordo sobre a Groenlândia e toda a região do Ártico, afirmando que isso permitiu suspender a ameaça de tarifas à Europa que haviam sido articuladas nos últimos dias. Trump afirmou que, após uma reunião com o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, foi formado um entendimento preliminar que pode evoluir para um acordo futuro sobre a presença estratégica na ilha que hoje é território da Dinamarca.

O presidente americano não forneceu detalhes sobre os termos desse entendimento, mas descreveu a conversa com Rutte como “muito produtiva” e sugeriu que o acordo, se concretizado, seria benéfico tanto para os Estados Unidos quanto para os demais membros da Otan. Em postagem nas redes sociais, ele afirmou que, com base nesse entendimento, decidiu não impor as tarifas programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro contra países europeus que se opõem à sua proposta de adquirir a Groenlândia, como Dinamarca, França e Alemanha.

A suspensão da ameaça tarifária representa uma mudança de tom após semanas de pressão americana e de tensões diplomáticas com aliados europeus, que reagiram com críticas e medidas de retaliação, incluindo a paralisação da ratificação de um acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos. Parlamentares europeus e líderes da Otan haviam considerado as ameaças de Trump como coercitivas, expressando preocupação com a estabilidade da aliança e a soberania da Groenlândia.

Trump também afirmou que discussões adicionais estão em curso sobre o que chamou de “Golden Dome”, um projeto de defesa antimísseis que ele pretende desenvolver, com participação dos Estados Unidos na região do Ártico, e que as negociações seriam conduzidas por altos representantes de sua administração, incluindo o vice-presidente e o secretário de Estado.

Autoridades da Otan e da Dinamarca, porém, negaram que a soberania da Groenlândia tenha sido objeto de negociação e enfatizaram que não houve concessões formais sobre a propriedade do território. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que não houve negociações com a Otan sobre soberania e que a Groenlândia não está à venda.

Analistas apontam que o anúncio de Trump busca amenizar as tensões acumuladas com aliados europeus após suas declarações anteriores sobre a possibilidade de aquisição da ilha e a imposição de tarifas de 10% — que poderiam subir para 25% em junho — caso não houvesse acordo. A crise suscitou preocupações sobre a coesão política e militar da aliança transatlântica e sobre o futuro das relações entre os Estados Unidos e seus parceiros na Europa.

A vagueza sobre o conteúdo do “acordo” e a ausência de compromissos concretos tornam incerta a implementação de qualquer mudança na gestão ou na presença na Groenlândia.

Lucas Allabi: Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab
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