Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, especialistas em relações comerciais entre Brasil e China destacaram que a relação econômica entre os dois países já ultrapassa a tradicional dependência por commodities agrícolas, abrindo espaço para produtos brasileiros de maior valor agregado. Em entrevista ao programa Mercado, o consultor Théo Paul Santana, fundador da consultoria Destino China, afirmou que a transição da pauta exportadora brasileira para além de itens como soja, minério de ferro e petróleo é impulsionada pela crescente demanda da classe média chinesa por produtos premium, incluindo itens alimentares e bens manufaturados que carregam identidade brasileira.
O especialista explicou que, diante de um cenário global em reorganização, marcado por tensões comerciais — especialmente entre Estados Unidos e China — e pela busca chinesa por ser “o mercado do mundo”, empresas brasileiras têm encontrado oportunidades em segmentos que anteriormente não eram associados ao amplo mercado asiático. Entre os produtos citados por Santana estão o açaí e cosméticos, que refletem a valorização de produtos com origem e atributos culturais ligados ao Brasil, e que começam a ser apreciados por consumidores chineses com maior poder aquisitivo.
Segundo ele, a China tem adotado uma postura pragmática nas negociações internacionais, evitando conflitos desnecessários e mantendo foco no seu desenvolvimento interno por meio de investimentos em tecnologia, infraestrutura e modernização industrial, fatores que favorecem a abertura gradual de novos mercados para exportadores estrangeiros. Essa postura contrasta com abordagens mais duras observadas em outros centros econômicos, e cria um campo mais promissor para produtos não tradicionais brasileiros.
O desafio para empresas brasileiras, de acordo com Santana, está em adaptar suas marcas e estratégias de comunicação ao perfil do consumidor chinês, que tende a valorizar aspectos como qualidade, origem e autenticidade nos rótulos. Em um mercado global cada vez mais competitivo e fragmentado, aqueles que conseguirem ajustar suas ofertas de acordo com essas expectativas terão maior chance de ampliar sua presença no país asiático e de diversificar o portfólio exportador brasileiro.
Analistas lembram que a China já é um parceiro comercial de extrema importância para o Brasil não apenas no agronegócio tradicional, mas também em setores mais amplos da economia. Dados recentes mostram que a China segue liderando como destino das exportações brasileiras, absorvendo volumes significativos de produtos básicos e, cada vez mais, ampliando sua presença em bens industrializados.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!