Grave! Mantega foi contratado pelo Banco Master a pedido de Jaques Wagner, diz coluna

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi contratado pelo Banco Master após um pedido feito diretamente pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado. A informação foi divulgada pela colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles, e acrescenta novos elementos ao caso envolvendo a instituição financeira, que entrou em liquidação após investigações sobre uma fraude bilionária.

Segundo a publicação, Mantega recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para prestar serviços de consultoria ao Banco Master. O trabalho tinha como foco o avanço das negociações para a venda da instituição ao Banco Regional de Brasília (BRB), banco público controlado pelo Governo do Distrito Federal. A operação, no entanto, foi vetada pelo Banco Central (BC) em setembro de 2025.

Ainda de acordo com o Metrópoles, a consultoria de Mantega ao Banco Master se estendeu até poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação da instituição, em novembro de 2025. A medida foi adotada após a revelação de um esquema de fraude estimado em dezenas de bilhões de reais, atribuído à gestão do banco.

Contratação após recuo do governo em indicação à Vale

A reportagem informa que a contratação de Guido Mantega pelo Banco Master ocorreu depois de o governo federal desistir de indicá-lo para o Conselho de Administração da mineradora Vale, no início de 2024. A indicação havia enfrentado forte reação negativa do mercado financeiro, o que levou o Palácio do Planalto a recuar da nomeação.

Nesse contexto, segundo a coluna, Jaques Wagner teria atuado como interlocutor para viabilizar a contratação de Mantega junto ao Banco Master. A relação do senador com a instituição ocorreria por meio do empresário Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro, controlador do banco. Vorcaro é apontado como figura central nas investigações sobre a fraude que levou à liquidação da instituição.

Agendas no Planalto durante período de consultoria

Outro ponto destacado pela reportagem é que Guido Mantega esteve no Palácio do Planalto em quatro ocasiões entre janeiro e dezembro de 2024, período em que prestava consultoria ao Banco Master. Segundo os registros oficiais, as agendas dessas visitas não faziam referência ao banco.

A informação levanta questionamentos sobre o teor das reuniões, embora não haja, até o momento, indicação formal de irregularidade nas visitas. O governo não informou, segundo a publicação, se os encontros trataram de temas relacionados ao sistema financeiro ou à situação do Banco Master.

Operação barrada e liquidação do banco

A negociação para a venda do Banco Master ao BRB era vista como uma tentativa de evitar o colapso da instituição privada. O Banco Central, porém, decidiu barrar a operação após análise técnica, apontando riscos e problemas na estrutura financeira do negócio. Meses depois, diante do avanço das investigações e da constatação de irregularidades graves, o BC decretou a liquidação do banco.

A fraude associada ao Banco Master é estimada em valores que ultrapassam R$ 40 bilhões, segundo declarações públicas do presidente da República. O impacto potencial recai sobre o sistema financeiro, uma vez que prejuízos podem ser absorvidos por mecanismos de proteção e por outras instituições do setor.

Declaração de Lula sobre o caso

Na sexta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou publicamente o escândalo envolvendo o Banco Master. Foi a primeira vez que o chefe do Executivo criticou de forma direta e explícita Daniel Vorcaro e o caso relacionado à fraude.

“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar são os bancos. Um cidadão que deu um desfalque de R$ 40 bilhões nesse país. E tem gente que defende, porque está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara nesse país”, afirmou o presidente.

Repercussão política e investigações

As revelações sobre a contratação de Guido Mantega e a suposta intermediação do senador Jaques Wagner ampliam a repercussão política do caso. O episódio envolve figuras centrais do governo federal, um banco privado, um banco público e órgãos reguladores, o que reforça o interesse institucional sobre os desdobramentos das investigações.

Até o momento, não há informação de que Mantega, Jaques Wagner ou integrantes do governo tenham sido formalmente acusados de irregularidades no âmbito da contratação ou da tentativa de venda do Banco Master. As apurações sobre a fraude e sobre a atuação dos responsáveis pela gestão da instituição seguem sob responsabilidade das autoridades competentes.

O caso permanece em investigação, e novos dados podem surgir a partir da análise de documentos, depoimentos e decisões dos órgãos de controle, incluindo o Banco Central e instâncias do Judiciário.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.