Em discurso a petroleiros, líder venezuelana critica pressão americana sobre política local

Imagem: Jesus Vargas/Getty Images

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez um pronunciamento contundente neste domingo (25) em que criticou abertamente a influência dos Estados Unidos na política interna do país e defendeu que os venezuelanos resolvam seus próprios conflitos sem interferência externa. A declaração foi feita durante um evento com trabalhadores do setor petrolífero na cidade de Puerto La Cruz, transmitido pela emissora estatal Venezolana de Televisión, e marca uma retomada retórica mais assertiva de Rodríguez após semanas de tensão diplomática com Washington.

Rodríguez disse que a Venezuela já “está farta das ordens de Washington” e que as decisões sobre divergências e disputas políticas devem ser tomadas pela política venezuelana, sem imposições de potências estrangeiras. “Chega de ordens de Washington sobre os políticos da Venezuela. Que a política venezuelana resolva nossas diferenças e nossos conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, afirmou a líder interina, em defesa da soberania do país.

O pronunciamento ocorre em um contexto de intenso debate sobre a atuação dos Estados Unidos na Venezuela desde o início de janeiro, quando uma operação liderada por forças norte-americanas resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por acusações nos Estados Unidos. A Casa Branca passou a pressionar o governo interino, liderado por Rodríguez, por uma agenda de cooperação e normalização de políticas, inclusive em relação à produção de petróleo, o que aumentou as tensões entre Caracas e Washington.

Rodríguez, ex-vice-presidente sob Maduro e nome apoiado por Washington para assumir interinamente o governo, tem repetido que os Estados Unidos não governam a Venezuela e que sua administração busca estabilidade e unidade sem confrontos com o exterior. No discurso deste domingo, ela enfatizou a importância de espaços para divergência democrática no país, mas reforçou que esses debates e decisões devem ser conduzidos pelos próprios venezuelanos, sem “imposições de potências estrangeiras”.

A insistência no controle interno da agenda política coincide com ações do governo interino no setor petrolífero e em outras áreas estratégicas, ao mesmo tempo em que busca evitar uma ruptura aberta com os Estados Unidos que poderia agravar ainda mais a crise institucional no país.

Lucas Allabi: Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab
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