A aprovação da política de imigração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caiu para o nível mais baixo desde seu retorno à Casa Branca, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira (26). O levantamento indica que a maioria dos americanos considera que a ofensiva do governo contra a imigração ultrapassou limites aceitáveis.
A pesquisa foi realizada em todo o país entre sexta-feira e domingo e coletou respostas antes e depois de um novo episódio de violência em Minneapolis, onde agentes federais mataram a tiros um cidadão americano durante confrontos com manifestantes contrários à presença de forças de imigração na cidade. Foi a segunda morte registrada no município em ações envolvendo agentes federais neste mês.
De acordo com o levantamento, apenas 39% dos entrevistados aprovam a forma como Trump conduz a política migratória, uma queda em relação aos 41% registrados no início de janeiro. Já 53% disseram desaprovar. O tema havia impulsionado a popularidade do presidente logo após sua posse, quando, em fevereiro, 50% aprovavam sua atuação e 41% a rejeitavam.
Trump venceu a eleição presidencial de 2024 com a promessa de promover uma intensificação histórica das deportações. Desde então, agentes de imigração mascarados e equipados com trajes táticos de estilo militar tornaram-se presença frequente em várias cidades do país, o que desencadeou protestos em diferentes regiões. Em Minneapolis, essas operações resultaram em confrontos violentos e mortes.
Autoridades do governo Trump afirmaram que o enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, morto a tiros durante um protesto na cidade, teria agredido agentes federais antes de ser baleado. No entanto, vídeos gravados por testemunhas contradizem essa versão oficial. Semanas antes, também em Minneapolis, outra cidadã americana, Renee Good, de 37 anos, foi morta a tiros por um agente de imigração durante uma operação.
A percepção de que a repressão foi excessiva é compartilhada por 58% dos entrevistados, que disseram que o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) foi longe demais em suas ações. Outros 12% afirmaram que a atuação não foi suficiente, enquanto 26% consideraram que a abordagem foi adequada. Entre os democratas, cerca de nove em cada dez avaliaram que os agentes extrapolaram, proporção que cai para dois em cada dez entre os republicanos e sobe para seis em cada dez entre os independentes.
As imagens dos confrontos, amplamente divulgadas nas redes sociais, também provocaram desconforto dentro do Partido Republicano, em um momento em que parlamentares da legenda enfrentam crescente insatisfação do eleitorado com a alta dos preços, às vésperas das eleições legislativas de novembro, que definirão o controle do Congresso e de governos estaduais. Em Minnesota, o principal pré-candidato republicano ao governo do estado, Chris Madel, desistiu da disputa nesta segunda-feira, afirmando que a repressão migratória tornou inviável uma vitória republicana.
Embora tenha responsabilizado os democratas pelas mortes, Trump adotou um tom mais moderado nesta segunda-feira ao comentar o caso. O presidente disse estar “na mesma sintonia” que o governador democrata de Minnesota, Tim Walz, e afirmou que ambos tiveram uma “ligação muito boa”.
Além da queda na avaliação da política migratória, a pesquisa também mostrou recuo na aprovação geral do presidente. O índice caiu para 38%, empatando com o menor patamar de seu atual mandato, após marcar 41% na sondagem anterior, realizada entre 12 e 13 de janeiro.
Apesar da deterioração dos índices, Trump segue apresentando desempenho melhor na área de imigração do que seu antecessor, o democrata Joe Biden. A pesquisa aponta ainda que os americanos continuam confiando mais nos republicanos do que nos democratas para lidar com o tema: 37% disseram preferir a abordagem republicana, contra 32% que optam pelos democratas, enquanto o restante afirmou não ter certeza ou não ver diferença entre os partidos.
A pesquisa Reuters/Ipsos ouviu 1.139 adultos em todo o país, por meio online, e tem margem de erro de aproximadamente três pontos percentuais.