O governo do Equador afirmou nesta terça-feira (27) que um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) tentou entrar sem autorização no consulado equatoriano em Minneapolis, mas foi impedido por funcionários da representação diplomática. O episódio levou o Ministério das Relações Exteriores do país a enviar uma nota formal de protesto à Embaixada dos EUA em Quito, exigindo garantias de que situações semelhantes não se repitam.
Em comunicado oficial, a chancelaria classificou o episódio como uma “tentativa de incursão” de agentes do ICE no consulado e destacou que a atuação dos funcionários locais assegurou a proteção dos cidadãos equatorianos que estavam no prédio no momento da abordagem. O governo não divulgou detalhes adicionais sobre a identidade do agente nem sobre eventuais desdobramentos diplomáticos imediatos.
O caso ocorreu em meio à operação de deportação em massa conduzida pelo governo do presidente Donald Trump em Minnesota, que mobilizou cerca de três mil agentes fortemente armados do ICE e da Patrulha da Fronteira. A ofensiva federal, conhecida como Operação Metro Surge, vem sendo alvo de críticas de autoridades locais e provocou semanas de protestos em Minneapolis e em outras cidades americanas.
Testemunhas que trabalhavam em estabelecimentos próximos ao consulado relataram à Reuters que agentes de imigração perseguiam duas pessoas na rua, que teriam entrado no prédio diplomático para se abrigar. Segundo esses relatos, os agentes tentaram seguir os indivíduos para dentro do consulado, mas foram barrados. Uma das testemunhas, que pediu anonimato por receio de represálias, afirmou que os policiais não chegaram a entrar no imóvel.
Pelo direito internacional, embaixadas e consulados são considerados território soberano do país que representam e gozam de imunidade diplomática, o que impede a entrada não autorizada de agentes de outros Estados. A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas estabelece que autoridades do país anfitrião só podem acessar essas instalações com consentimento explícito da missão estrangeira.
Até a última atualização desta reportagem, nem o Departamento de Estado dos Estados Unidos nem o Departamento de Segurança Interna — órgão ao qual o ICE está subordinado — haviam respondido aos pedidos de comentário da agência de notícias. O silêncio ocorre em um momento de crescente pressão internacional e doméstica sobre a condução das ações migratórias do governo Trump.
A escalada das operações federais em Minneapolis já resultou na morte de dois cidadãos americanos em confrontos envolvendo agentes de imigração, o que intensificou o desgaste político da Casa Branca. Autoridades locais acusam o governo federal de agir de forma desproporcional e de agravar tensões sociais em comunidades vulneráveis.
Diante do agravamento da crise, o chamado “czar da fronteira” de Trump, Tom Homan, reuniu-se nesta terça-feira com a prefeita de Minneapolis e o governador de Minnesota em uma tentativa de reduzir as tensões e reabrir canais de diálogo. O governo equatoriano, por sua vez, reforçou que acompanhará o caso de perto e espera o respeito integral às normas internacionais que regem as relações diplomáticas.