O volume de recursos aprovados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para a Embraer desde 2023 tem sido interpretado por aliados do governo federal como um marco de retomada da política de financiamento à indústria aeronáutica brasileira. Entre janeiro de 2023 e o fim de 2025, o banco aprovou R$ 28,8 bilhões para a empresa, sendo R$ 27,13 bilhões destinados à exportação de 169 aeronaves produzidas no país.
Para integrantes do governo e analistas próximos à atual gestão, os números simbolizam uma inflexão em relação ao período anterior. Eles apontam que, entre 2019 e 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, o apoio do BNDES à Embraer somou R$ 13,8 bilhões — valor que representa pouco menos da metade do montante liberado a partir de 2023. Esse contraste tem sido descrito por esses setores como uma passagem de um cenário de retração para um de reconstrução do papel do banco no apoio à indústria nacional.
Além do financiamento às exportações, quase R$ 2 bilhões foram direcionados a projetos de desenvolvimento tecnológico da Embraer. Parte desses recursos atende à Eve Air Mobility, subsidiária criada para atuar no segmento de mobilidade aérea urbana, que inclui o desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, popularmente conhecidas como “carros voadores”. Em dezembro, a Eve anunciou a aprovação de um financiamento específico de R$ 200 milhões para esse projeto.
O BNDES informou ainda que o total de R$ 28,8 bilhões inclui liberações recentes cujos detalhes não foram divulgados por razões contratuais. Segundo o banco, os recursos fazem parte de uma estratégia mais ampla de estímulo às exportações brasileiras e à agregação de valor tecnológico à indústria nacional.
O presidente da instituição, Aloizio Mercadante, tem afirmado que o apoio à Embraer está alinhado à política industrial do governo Lula, que busca fortalecer empresas brasileiras em mercados internacionais e ampliar a geração de empregos qualificados. Entre 2023 e 2025, segundo o banco, cerca de R$ 56 bilhões foram destinados ao financiamento de exportações de diversos setores da economia.
Nesse contexto, a ampliação do crédito à Embraer passou a ser citada por apoiadores do governo como exemplo de retomada do protagonismo do BNDES após o que classificam como um período de enfraquecimento da atuação do banco. Já críticos da política atual veem o aumento dos financiamentos como parte de uma reorientação do papel do Estado na economia, debate que segue no centro das disputas sobre política industrial no país.