Uma eventual disputa de segundo turno nas eleições presidenciais de 2026 entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece marcada por forte equilíbrio, segundo pesquisa nacional divulgada nesta quinta-feira (29).
O levantamento do instituto Paraná Pesquisas aponta um cenário de empate técnico entre os dois nomes, refletindo um ambiente eleitoral altamente competitivo e um eleitorado dividido a pouco mais de um ano do início oficial da campanha.
De acordo com os dados, num confronto de segundo turno, Lula registra 44,8% das intenções de voto no confronto direto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 42,2%. Considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, os percentuais indicam empate técnico entre os dois candidatos. O nível de confiança da pesquisa é de 95%.
O levantamento foi realizado entre os dias 25 e 28 de janeiro de 2026, com 2.080 entrevistas presenciais em 160 municípios distribuídos por todas as unidades da federação, incluindo os 26 estados e o Distrito Federal. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-08254/2026.
Aproximação ao longo do tempo
A série histórica apresentada pelo instituto revela uma redução consistente da vantagem que Lula mantinha sobre Flávio Bolsonaro nos últimos meses. Em outubro de 2025, o presidente aparecia com 46,7% das intenções de voto, enquanto o senador somava 37%, uma diferença de quase dez pontos percentuais. Desde então, o intervalo entre os dois vem diminuindo gradualmente, até chegar ao atual cenário de equilíbrio.
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Esse movimento indica uma reconfiguração do quadro eleitoral e sugere mudanças na dinâmica de preferências do eleitorado, seja por fatores conjunturais, avaliações do governo federal ou pela consolidação do nome de Flávio Bolsonaro como principal representante do campo bolsonarista na disputa presidencial.
Outros cenários de segundo turno
Além do confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa do Paraná Pesquisas também simulou outros cenários de segundo turno envolvendo o atual presidente. Em disputas contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e contra o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), Lula aparece numericamente à frente.
No entanto, assim como no cenário com Flávio Bolsonaro, as diferenças observadas nesses confrontos permanecem dentro de margens que caracterizam disputas competitivas. Os resultados indicam que, embora o presidente ainda lidere as simulações, a vantagem não é ampla, reforçando a percepção de um pleito potencialmente polarizado e sem favoritismo consolidado neste momento.
Avaliação sobre reeleição
O levantamento também investigou a opinião dos eleitores sobre a possibilidade de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Os dados mostram um país dividido. Segundo a pesquisa, 45,3% dos entrevistados afirmam que Lula merece um novo mandato presidencial, enquanto 51% dizem que o presidente não deveria ser reeleito. Outros entrevistados não souberam responder ou preferiram não opinar.
O resultado evidencia um grau elevado de rejeição à reeleição, ainda que o presidente mantenha competitividade nas intenções de voto. Analistas avaliam que essa combinação — liderança apertada nas simulações e maioria contrária à reeleição — pode se tornar um fator decisivo na definição das estratégias de campanha tanto do governo quanto da oposição.
Polarização e cenário eleitoral
Os números reforçam a manutenção de um ambiente político fortemente polarizado no Brasil. Lula e o campo bolsonarista seguem concentrando grande parte das intenções de voto, enquanto outros nomes testados nas pesquisas aparecem com dificuldades para romper essa lógica de polarização.
No caso específico de Flávio Bolsonaro, o desempenho no segundo turno sinaliza que o sobrenome Bolsonaro continua exercendo peso significativo no eleitorado, mesmo após o ex-presidente Jair Bolsonaro ter sido declarado inelegível. O senador surge como herdeiro político desse capital eleitoral e, segundo a pesquisa, já se coloca em posição competitiva frente ao atual chefe do Executivo.
Leitura do mercado político
Especialistas em análise eleitoral destacam que pesquisas realizadas com antecedência superior a um ano do pleito não configuram prognósticos definitivos, mas ajudam a mapear tendências. O empate técnico observado neste momento indica que o resultado de 2026 dependerá fortemente da evolução do cenário econômico, da avaliação do governo federal, do desempenho dos possíveis candidatos durante a pré-campanha e de eventuais alianças políticas.
Além disso, fatores como inflação, crescimento econômico, desemprego, política social e estabilidade institucional tendem a influenciar diretamente o humor do eleitorado ao longo de 2026. A própria definição oficial das candidaturas, que ainda não ocorreu, pode alterar significativamente o quadro atual.
Próximos passos
Com a aproximação gradual do calendário eleitoral, novas rodadas de pesquisas devem aprofundar a leitura sobre o comportamento do eleitorado e testar outros arranjos de candidatos. Por ora, o levantamento do Paraná Pesquisas indica que, em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a disputa seria marcada por equilíbrio extremo, com desfecho em aberto e alto grau de imprevisibilidade.