Após cortar envios de Caracas, Trump agora ameaça punir com tarifas o México, maior abastecedor energético dos cubanos, e pode desencadear uma crise humanitária. Casa Branca quer novo governo em Havana
O presidente Donald Trump assinou nesta sexta-feira (30/01) uma ordem executiva que autoriza os EUA a impor tarifas punitivas a qualquer país que forneça petróleo a Cuba, em uma escalada da guerra econômica contra a ilha caribenha.
A medida, descrita pela Casa Branca como resposta a uma “emergência nacional”, representa uma tentativa aberta de estrangular por completo o já combalido suprimento energético cubano.
“Considero que a situação em relação a Cuba constitui uma ameaça incomum e extraordinária para a segurança nacional e a política externa dos EUA”, declarou Trump no documento.
O republicano aumenta a pressão principalmente sobre o México, que a Casa Branca quer ver se distanciar dos cubanos.
O governo de Cláudia Sheinbaum tem sido o principal fornecedor de petróleo para a ilha desde 2025, ultrapassando a Rússia e a Venezuela.
Sheinbaum afirmou que seu governo buscará mais informações sobre as tarifas junto ao Departamento de Estado dos EUA, enquanto procura maneiras alternativas de fornecer ajuda humanitária ao povo cubano.
“Vamos procurar uma solução, sem colocar o México em risco, é claro, mas sempre buscando solidariedade com o povo cubano”, disse ela aos repórteres.
Amplas regiões de Cuba enfrentam apagões que superam 20 horas diárias e, segundo uma estimativa do Financial Times, o país tem petróleo suficiente apenas para 15 a 20 dias nos níveis atuais. Sem nenhuma mudança de cenário, o governo enfrentará uma grave crise, com impacto severo para a população cubana.
Sufocar Cuba para forçar uma mudança de regime
Trump já havia anunciado o fim do envio de petróleo venezuelano à ilha, após o sequestro de Maduro. Uma semana depois, escreveu em uma postagem no Truth Social: “NÃO HAVERÁ MAIS PETRÓLEO NEM DINHEIRO PARA CUBA – ZERO!”
E autoridades americanas informaram que lanchas de patrulha poderiam ser enviadas para a costa de Cuba e disseram que esforços estavam sendo feitos para encontrar ministros cubanos dispostos a colaborar com os EUA.
A resposta cubana
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel acusou Trump de buscar “sufocar” a economia da ilha rege que as tarifas revelaram a “natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo americano para obter ganhos puramente pessoais”.
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O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos F. de Cossio, escreveu na rede social X que os EUA estão reforçando seu bloqueio contra Cuba após “décadas de fracasso de uma guerra econômica implacável” e tentando “forçar Estados soberanos a aderirem ao embargo”.
Com informações do The Guardian e DW em 30/01/2026