IBGE: Desemprego cai a 5,1% no fim de 2025 e atinge menor nível da série histórica

RICARDO STUCKERT/PR

A taxa de desocupação no Brasil recuou para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, alcançando o menor nível de toda a série histórica iniciada em 2012. O resultado indica que cerca de 5,5 milhões de pessoas estavam em busca de trabalho no período, enquanto a população ocupada atingiu 103 milhões de pessoas, também um recorde histórico. Os dados constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o desempenho registrado no último trimestre do ano, a taxa média anual de desemprego caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025, o menor patamar desde o início da série. O resultado consolida um ano marcado por expansão consistente do mercado de trabalho, tanto em quantidade quanto em qualidade das ocupações.

Segundo a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, a redução do desemprego ao longo de 2025 foi sustentada pelo crescimento da ocupação, e não por fatores como desalento ou subutilização da força de trabalho. “É importante registrar que a queda da desocupação não foi provocada por aumento da subutilização da força de trabalho ou do desalento, reduzindo a pressão por trabalho. A trajetória de queda da taxa de desocupação em 2025 foi sustentada pela expansão da ocupação, principalmente nas atividades de serviços”, afirmou.

O total de pessoas ocupadas no país chegou ao maior nível da série histórica, superando os 101,3 milhões registrados em 2024 e ficando muito acima dos 89,3 milhões observados em 2012. Outro indicador que reforça a melhora estrutural do mercado de trabalho foi o nível de ocupação — proporção de pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar — que alcançou 59,1% em 2025, também o maior valor já registrado.

A taxa anual de subutilização da força de trabalho caiu para 14,5% em 2025, o menor percentual da série. O contingente de pessoas subutilizadas recuou de 18,7 milhões em 2024 para cerca de 16,6 milhões no ano passado. Apesar da melhora, o número ainda permanece acima do mínimo histórico observado em 2014, antes dos efeitos da crise econômica e da pandemia de Covid-19, quando a subutilização chegou a ultrapassar 32 milhões de pessoas.

O avanço do emprego foi acompanhado por ganhos relevantes de renda. O rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas foi estimado em R$ 3.560 em 2025, alta de 5,7% em relação ao ano anterior. Já a massa de rendimento real habitual atingiu R$ 361,7 bilhões, o maior valor da série histórica, com crescimento de 7,5% na comparação anual.

De acordo com Adriana Beringuy, os resultados refletem mudanças importantes na estrutura do emprego no país. “Setorialmente, as atividades que mais expandiram a ocupação foram as de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, como também o grupamento formado pela administração pública, defesa, educação, saúde humana, seguridade social e serviços sociais”, explicou.

A coordenadora destacou ainda o papel da política de valorização do salário mínimo no avanço da renda, especialmente entre trabalhadores de menor qualificação e em ocupações menos formalizadas. “Além desses impulsos setoriais, a valorização do salário mínimo influenciou o ganho de rendimento nos segmentos de atividades mais elementares e menos formalizadas. Dessa forma, independentemente da forma de inserção na ocupação, o crescimento do rendimento foi difundido para a população ocupada como um todo”, afirmou.

Outro destaque de 2025 foi o crescimento do emprego formal. O número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada avançou 2,8% em relação a 2024, alcançando 38,9 milhões de pessoas, o maior contingente já registrado. O aumento corresponde a cerca de 1 milhão de novos empregos formais em um ano. Em contrapartida, o total de empregados sem carteira assinada apresentou leve recuo, passando de 13,9 milhões para 13,8 milhões.

O número de trabalhadores domésticos também diminuiu, chegando a 5,7 milhões de pessoas. Com esses movimentos, a taxa de informalidade caiu de 39,0% em 2024 para 38,1% em 2025. Apesar da trajetória de queda, o índice segue elevado e reflete características estruturais do mercado de trabalho brasileiro. “A taxa de informalidade seguiu em queda em 2025. Seu valor relevante (38,1%), contudo, reflete característica estrutural do mercado de trabalho brasileiro. A composição e dinâmica da população ocupada ainda é bastante dependente da informalidade”, observou Beringuy.

Na análise trimestral, considerando o período de outubro a dezembro de 2025, a taxa de desocupação de 5,1% representou queda tanto em relação ao trimestre imediatamente anterior quanto na comparação com o mesmo período de 2024. O resultado foi o menor da série histórica para trimestres móveis comparáveis desde 2012. O contingente da força de trabalho ficou estimado em 108,5 milhões de pessoas, mantendo estabilidade nas comparações.

O desempenho setorial no fim do ano também indicou recuperação do comércio, após retração registrada no terceiro trimestre. “Após queda de ocupação registrada no 3º trimestre, o comércio apresentou recuperação no fim do ano, expandindo seu contingente de trabalhadores em diversos segmentos, com destaque para o comércio de vestuário e calçados”, explicou a coordenadora do IBGE.

A PNAD Contínua é a principal pesquisa sobre a força de trabalho no país e abrange cerca de 211 mil domicílios em aproximadamente 3.500 municípios. A próxima divulgação, referente ao trimestre encerrado em janeiro de 2026, está prevista para fevereiro, mantendo o acompanhamento regular da evolução do mercado de trabalho brasileiro.

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