O presidente chinês, Xi Jinping, defendeu de forma explícita que o renminbi alcance status de moeda de reserva global. Em texto publicado na revista Qiushi, órgão teórico do Partido Comunista, Xi afirmou que a China precisa construir uma “moeda poderosa”, amplamente usada no comércio, nos investimentos e nos mercados cambiais internacionais.
Segundo ele, esse objetivo exige bases financeiras sólidas: um banco central forte, capaz de gerir a política monetária com eficácia, instituições financeiras competitivas em escala global e centros financeiros internacionais capazes de atrair capital estrangeiro e influenciar a formação de preços no mundo.
As declarações, feitas originalmente em um discurso de 2024 e divulgadas agora, surgem num momento de incerteza nos mercados globais, marcado por tensões geopolíticas, disputas comerciais e questionamentos sobre a hegemonia do dólar. Analistas avaliam que Pequim percebe uma mudança gradual na ordem monetária internacional e busca posicionar sua moeda como contrapeso estratégico à influência dos Estados Unidos.
Embora o renminbi já seja a segunda maior moeda em financiamento ao comércio internacional desde a guerra na Ucrânia, seu peso nas reservas globais ainda é reduzido — menos de 2%, segundo dados do FMI. Especialistas apontam que, para avançar, a China precisaria ampliar a conversibilidade da moeda e flexibilizar o controle sobre o fluxo de capitais.
Autoridades chinesas afirmam não ter interesse em desvalorizar o renminbi para obter vantagens comerciais e indicam tolerância a uma apreciação gradual. Para o governo, a estabilidade da moeda e seu papel como reserva de valor são centrais, enquanto o fortalecimento do crescimento interno e do setor tecnológico poderia sustentar, no longo prazo, uma moeda chinesa mais forte e mais relevante no sistema financeiro internacional.