Kassab traça plano estratégico e libera palanques do PSD para turbinar bancada na Câmara

AGẼNCIA BRASIL

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, desenhou uma estratégia clara para as eleições de 2026: priorizar a ampliação da bancada do partido na Câmara dos Deputados, com a meta de alcançar algo entre 80 e 90 deputados federais. Para isso, a sigla deve adotar uma postura pragmática e flexível, liberando seus diretórios estaduais para montarem palanques conforme a conveniência local, sem obrigação de apoiar um eventual candidato presidencial do próprio partido.

A estratégia foi detalhada em reportagem da Folha de S.Paulo e confirma uma linha de atuação que Kassab já vem sinalizando publicamente. Mesmo acenando com a possibilidade de uma candidatura própria ao Palácio do Planalto, o PSD pretende desvincular a disputa presidencial da eleição proporcional, permitindo alianças diversas nos estados — inclusive com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — sempre que isso favorecer a eleição de deputados.

Bancada forte é o verdadeiro objetivo

O cálculo político é direto. Hoje, o PSD conta com 47 deputados federais. Dobrar esse número colocaria o partido entre as maiores bancadas da Câmara, ampliando significativamente sua fatia no fundo eleitoral e no fundo partidário, além de aumentar o tempo de propaganda e o poder de barganha no Congresso.

Em evento realizado na sexta-feira (30), Kassab foi explícito ao tratar da ambição da legenda. “Pode chegar a eleger de 80 a 90 deputados federais”, afirmou. Nos bastidores, dirigentes do PSD avaliam que, no cenário pós-2026, o tamanho da bancada será mais decisivo do que o alinhamento formal com o governo eleito, seja ele de esquerda ou de direita.

Presidência entra no jogo, mas sem amarras

Embora o PSD discuta lançar um candidato próprio à Presidência, essa decisão não será usada como instrumento de disciplina interna. Os nomes cotados são os governadores Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Ainda assim, Kassab já admitiu que esses governadores podem, eventualmente, disputar apenas o Senado, dependendo do contexto político.

Integrantes do partido reconhecem que o PSD pode repetir a estratégia de 2022: ensaiar uma candidatura presidencial e recuar no meio do caminho, caso isso favoreça alianças regionais e a eleição de deputados. A candidatura ao Planalto, nesse desenho, funciona mais como instrumento tático do que como eixo central da campanha.

Estados lulistas terão palanque pró-governo

A liberação dos palanques cria um mosaico de alianças pelo país. Em estados onde Lula mantém alta popularidade, o PSD não vê problema em caminhar com o PT. É o caso do Rio de Janeiro, onde o prefeito Eduardo Paes (PSD), cotado para disputar o governo estadual, já assumiu compromisso público com a reeleição do presidente.

Na Bahia e no Amazonas, a sigla também tende a integrar coligações governistas. Em Sergipe, o governador Fábio Mitidieri (PSD), que buscará a reeleição, declara apoio aberto a Lula. Kassab avalia que resistir a esse movimento em estados fortemente lulistas seria eleitoralmente custoso.

Pernambuco é tratado como prioridade estratégica

Entre os estados mais sensíveis está Pernambuco. Aliados da governadora Raquel Lyra (PSD), recém-filiada ao partido, defendem um acordo com Lula para preservar sua competitividade. O estado deu 66,9% dos votos válidos ao petista em 2022, e dirigentes do PSD consideram arriscado sustentar uma “terceira via” nacional em um ambiente tão polarizado.

Embora Raquel tenha adotado neutralidade na eleição passada, desde que assumiu o governo ela tem se aproximado do Planalto, movimento visto como coerente com a estratégia nacional de Kassab.

Minas, Goiás e São Paulo expõem alianças cruzadas

A flexibilidade também permite alianças em direção oposta. Em Minas Gerais, o vice-governador Mateus Simões (PSD) deve apoiar Romeu Zema (Novo), atual governador e possível presidenciável. O caso ilustra o ponto central do plano: não haverá uma ordem nacional única, mesmo que isso gere palanques contraditórios.

Em Goiás, o PSD deve apoiar Daniel Vilela (MDB) ao governo, enquanto o PL pode lançar Gustavo Gayer ao Senado. Já em São Paulo, o partido integra a base do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) — de quem Kassab é secretário de Governo. Tarcísio, por sua vez, comprometeu-se a apoiar Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, sem que isso cause ruptura com o PSD no estado.

Alternativa à polarização em alguns estados

Em regiões onde candidatos locais tentam fugir da polarização entre Lula e o bolsonarismo, um presidenciável do PSD pode servir como palanque intermediário. Na Bahia, por exemplo, ACM Neto (União Brasil) faz oposição ao PT, mas evita associação direta ao bolsonarismo em um estado majoritariamente lulista. Um nome do PSD ao Planalto poderia funcionar como ponte eleitoral.

Dinâmica semelhante é esperada no Mato Grosso do Sul, onde aliados do governador Eduardo Riedel (PP) avaliam apoiar um eventual nome do PSD, como Caiado, se isso facilitar a construção local.

PSD quer dominar o pós-2026

Ao liberar palanques e concentrar esforços na eleição proporcional, Kassab aposta em transformar o PSD em um dos principais centros de gravidade do Congresso a partir de 2027. A lógica é simples: quem controla uma grande bancada controla a agenda, independentemente de quem esteja no Planalto.

Nesse desenho, a candidatura presidencial existe, mas é secundária. O eixo estratégico é a Câmara dos Deputados. E a meta é ambiciosa: fazer do PSD um dos maiores partidos do país em número de parlamentares, ampliando recursos, influência e poder de negociação no próximo ciclo político.

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