O aumento das operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em grandes centros urbanos de tendência democrata está causando um crescimento acentuado da quantidade de porte de armas no setor progressista, historicamente distante da reivindicação ligada à agenda conservadora.
Em Minneapolis, onde o governo federal enviou cerca de três mil agentes para ações voltadas à detenção de imigrantes, comerciantes e instrutores de tiro relatam aumento expressivo na procura por cursos de manuseio de armas e orientações sobre licenciamento. O crescimento da demanda se intensificou após episódios de violência ocorridos durante operações recentes, incluindo a morte de dois cidadãos americanos, Renee Good e Alex Pretti, que ampliaram a sensação de insegurança entre moradores.
Empresários do setor de segurança afirmam que o perfil do público interessado mudou. Pessoas que antes rejeitavam a posse de armas passaram a buscar treinamento como forma de autoproteção, motivadas tanto pelo temor de confrontos com agentes federais quanto pela percepção de instabilidade nas ruas. Em alguns estabelecimentos, o número de interessados em aulas básicas chegou a quadruplicar nas semanas seguintes aos distúrbios registrados na cidade.
O fenômeno não se limita a Minneapolis. Relatos semelhantes surgem em outras cidades governadas por democratas, que se tornaram foco de batidas migratórias. Instrutores e lojistas observam a presença crescente de mulheres e integrantes da comunidade LGBTQIA+, grupos que tradicionalmente figuravam entre os mais críticos à disseminação de armas de fogo no país.
Os dados gerais ajudam a dimensionar o contexto. Estimativas apontam que cerca de um terço da população norte-americana possui armas de fogo, somando aproximadamente 500 milhões de unidades em circulação. Embora esse universo sempre tenha sido associado majoritariamente a homens e eleitores republicanos, a diversificação recente do perfil de compradores sugere mudanças nas percepções sobre segurança pessoal.
Casos como o do enfermeiro Alex Pretti, morto por agentes federais durante uma operação, também alimentam o debate. Pretti possuía licença para portar arma e, segundo relatos, não chegou a utilizá-la. Ainda assim, o fato de estar armado foi citado por autoridades como elemento central para justificar a ação, o que provocou reações intensas tanto entre críticos do governo quanto entre defensores tradicionais do direito ao porte.