Nesta segunda-feira (2), após a liberação de um vasto conjunto de arquivos ligados à investigação sobre Jeffrey Epstein, Donald Trump afirmou que o Departamento de Justiça deveria redirecionar seus esforços para outras frentes e deixar o caso de lado.
Segundo Trump, a dimensão do material divulgado — mais de três milhões de páginas — levanta questionamentos sobre a prioridade dada pelo órgão ao financista acusado de abusos sexuais. Para o presidente, a atuação do Departamento de Justiça não deveria se concentrar exclusivamente na análise desses documentos, uma vez que, em sua avaliação, há outras demandas institucionais relevantes a serem tratadas.
A liberação dos arquivos ocorreu na semana anterior e envolveu um acervo superior a 300 gigabytes de dados, incluindo documentos oficiais, vídeos, fotografias e registros de áudio. O material está armazenado no sistema eletrônico de gestão de casos do FBI, conhecido como Sentinel, utilizado pela agência para centralizar investigações federais de grande porte.
De acordo com autoridades do próprio Departamento de Justiça, a análise interna do conteúdo já foi concluída. O vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que o processo foi conduzido sem interferência da Casa Branca e que não houve supervisão direta do Executivo sobre a divulgação do material.
Os chamados “Arquivos de Epstein” reúnem registros de diferentes etapas das investigações conduzidas ao longo dos anos, incluindo relatórios produzidos inicialmente pelo FBI em Miami e, posteriormente, pelo escritório da agência em Nova York. Entre os documentos estão memorandos internos, informações sobre possíveis alvos, pedidos de mandados e intimações, além de centenas de formulários usados por agentes federais para registrar depoimentos de testemunhas, vítimas e suspeitos.
Jeffrey Epstein, bilionário nascido em Nova York, construiu sua fortuna após atuar no setor financeiro, tendo passado por instituições como o Bear Stearns antes de fundar sua própria empresa. Voltado exclusivamente a clientes de altíssimo patrimônio, seu negócio lhe permitiu acumular imóveis em diferentes países e manter relações com figuras influentes do meio político, econômico e social internacional. Pessoas citadas ao longo dos anos, como o príncipe Andrew, Bill Clinton e Donald Trump, sempre negaram envolvimento em atividades ilegais associadas ao financista.
As primeiras acusações contra Epstein surgiram em 2005, quando adolescentes relataram abusos ocorridos em sua residência na Flórida. Embora tenha evitado, à época, uma acusação federal mais ampla, ele cumpriu pena por crimes estaduais e foi registrado como agressor sexual. Novas denúncias levaram à reabertura do caso anos depois, culminando em uma acusação federal por tráfico sexual em 2019.
Pouco tempo após ser preso, Epstein foi encontrado morto em sua cela, no Centro Correcional Metropolitano de Nova York. As autoridades concluíram que a morte foi um suicídio, embora o episódio continue cercado de questionamentos e investigações paralelas.