Um vídeo gravado por uma turista americana em um hospital público de Beijing mostra, em tempo real, como funciona o atendimento básico de saúde na China — sem agendamento, sem seguro e sem exigência de residência local.
A autora do vídeo é Jennifer, conhecida no TikTok como Jen’s Side Quests. Viajante solo, ela decidiu registrar sua experiência ao procurar atendimento médico para um problema simples.
O Cafezinho checou a veracidade do vídeo e confirmou que as imagens correspondem ao funcionamento cotidiano de hospitais públicos chineses em grandes cidades.
“Você pode simplesmente aparecer”
Logo no início, Jennifer explica o básico do processo:
“Basta entregar o seu passaporte. Não importa se você mora aqui ou qual o tipo de visto que você possui. Qualquer pessoa pode ir a um hospital público chinês.”
Sem consulta marcada, ela pega uma senha, escaneia um QR code e paga digitalmente. Poucos minutos depois, já está com o médico.
“A consulta com o médico custa cerca de 7 dólares. São 50 kuai”, diz ela, mostrando a tela.
Aqui vale um esclarecimento importante: “kuai” (块) não é outra moeda. É apenas a forma coloquial de dizer yuan (元) no dia a dia na China — algo semelhante a dizer “conto” em vez de “real” no Brasil. Portanto, 50 kuai = 50 yuans.
Quanto custou, de fato
Após a consulta, Jennifer segue para a farmácia dentro do próprio hospital. O valor dos medicamentos é de 37 kuai (37 yuans).
“O total da receita foi de 37 kuai, o que eu tenho quase certeza que é tipo 5 dólares… mais os 7 dólares da consulta médica.”
Somando tudo:
- Consulta: 50 yuans
- Medicamentos: 37 yuans
- Total: 87 yuans
Com o câmbio aproximado de 7,2 yuans por dólar, o total equivale a cerca de US$ 12,10 — cálculo coerente com o valor citado por ela no vídeo.
Convertendo para reais, com o dólar a R$ 5,26 (cotação de 5 de fevereiro), o atendimento completo saiu por aproximadamente R$ 63,70:
- Consulta: cerca de R$ 36,50
- Medicamentos: cerca de R$ 27,20
Não há erro relevante nem na legenda nem na conta apresentada por Jennifer.
19 minutos, do começo ao fim
Ela também marca os horários na tela. Entra no hospital às 14h17 e sai com o remédio na mão às 14h36.
“Portanto, das 2:17 às 2:36, são 19 minutos. E eu fiz tudo o que precisava fazer.”
Antes de encerrar, ressalta:
“E, aliás, fiz tudo isso sem seguro.”
China, Estados Unidos e Brasil
O impacto do vídeo vem da comparação imediata com os Estados Unidos, onde consultas costumam exigir agendamento prévio, planos privados e custos elevados, mesmo para casos simples.
Quando o Brasil entra na comparação, o contraste muda de tom. O SUS garante acesso universal e gratuito, algo inexistente no modelo americano. Ao mesmo tempo, enfrenta filas, subfinanciamento e fortes desigualdades regionais, o que faz com que atendimentos básicos possam demorar dias ou semanas em muitas cidades.
A China segue outro caminho. O sistema público não é gratuito, mas cobra valores baixos, rigidamente regulados, e prioriza velocidade e escala. O atendimento básico é desenhado para ser rápido, mesmo em hospitais cheios e com grande rotatividade.
O que a experiência escancara
O vídeo mostra um hospital comum: filas, confusão, instalações simples. Ainda assim, o resultado é direto e concreto — consulta, prescrição e medicamentos resolvidos no mesmo lugar, em menos de 20 minutos, por um custo equivalente a pouco mais de R$ 60.
Colocados lado a lado, China, Estados Unidos e Brasil revelam escolhas políticas muito diferentes sobre como organizar o acesso à saúde. E é essa comparação prática, do cotidiano, que explica por que o vídeo gerou tanto debate.