Exportação recorde de carne consolida liderança do Brasil em 2025

Portos contribuíram para exportação recorde de carne bovina brasileira em 2025 / Agência Gov | MPOR

Infraestrutura logística foi decisiva para escoar produção histórica e ampliar presença brasileira em mais de 170 países


O Brasil encerrou 2025 com um marco histórico no agronegócio. O país não apenas consolidou sua posição como maior produtor e exportador mundial de carne bovina, superando os Estados Unidos, como também bateu recordes de volume e receita. Por trás desse desempenho, no entanto, há um fator muitas vezes invisível ao consumidor final, mas absolutamente central para o sucesso do setor: a infraestrutura portuária.

Ao longo do ano, os portos brasileiros foram decisivos para viabilizar o embarque de 3,45 milhões de toneladas de carne bovina, um crescimento de 20,9% em relação a 2024. O salto não ocorreu por acaso. Ele refletiu uma resposta rápida e coordenada da logística nacional diante do aumento da demanda internacional, em um cenário global marcado por disputas comerciais e instabilidade econômica.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o resultado dessa engrenagem em funcionamento foi uma receita recorde de 18 bilhões de dólares, o equivalente a cerca de 95 bilhões de reais. Em comparação com os 12,8 bilhões de dólares registrados no ano anterior, o crescimento chegou a expressivos 39,31%.

Mais do que números, o desempenho evidencia como a integração entre produção no campo e eficiência logística se tornou um ativo estratégico para o país.


Produção forte no interior e escoamento eficiente nos portos

O avanço da carne bovina brasileira começou longe do litoral. Estados do Centro-Oeste e do Sudeste sustentaram o crescimento da produção ao longo de 2025. Mato Grosso liderou com 978,4 mil toneladas exportadas. Em seguida, apareceram Goiás, com 508,1 mil toneladas, Mato Grosso do Sul, com 450,1 mil, e Minas Gerais, com 324,6 mil toneladas.

Esse volume expressivo exigiu uma estrutura capaz de absorver o fluxo sem gargalos. Nesse ponto, os portos do Sul e do Sudeste assumiram papel central. Ao longo do ano, os terminais ampliaram operações, ajustaram rotinas e investiram em eficiência para garantir que a carne brasileira chegasse a mais de 170 países.

Além disso, mercados altamente exigentes, como China e União Europeia, seguiram como destinos estratégicos. A capacidade de atender padrões sanitários rigorosos e prazos logísticos apertados reforçou a reputação do produto brasileiro no exterior.

Esse alinhamento entre interior produtivo e litoral exportador ajudou a transformar crescimento em resultado concreto, com impacto direto na balança comercial e na geração de renda.


Infraestrutura portuária vira vantagem competitiva

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os números confirmam que o Brasil colhe frutos de uma política voltada ao fortalecimento da infraestrutura logística. Na avaliação do ministro, os portos deixaram de ser apenas pontos de passagem e passaram a atuar como elos estratégicos do desenvolvimento econômico.

“O agronegócio brasileiro, puxado por estados como Mato Grosso e São Paulo, mostrou sua força ao bater recordes de produção. O nosso papel foi garantir que essa mercadoria não parasse no meio do caminho. O crescimento de Paranaguá e o desempenho sólido de Santos mostram que nossos portos estão preparados para absorver o crescimento econômico do país e entregar resultados”, avaliou.

Em outra declaração, Costa Filho reforçou a mensagem de confiança na capacidade logística nacional: “Nossos portos estão preparados para absorver o crescimento econômico do país e entregar resultados”.

Esse discurso dialoga com uma visão mais ampla de desenvolvimento. Ao fortalecer portos públicos e integrar investimentos privados, o Estado cria condições para que setores produtivos ampliem sua competitividade sem depender exclusivamente de subsídios ou desonerações fiscais.


Santos mantém liderança e Paranaguá avança com força

Entre os principais terminais, o Porto de Santos manteve a liderança absoluta como principal porta de saída do agronegócio brasileiro. Em 2025, o complexo paulista movimentou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina, um crescimento de 13,3% em relação ao ano anterior.

Apesar da liderança consolidada de Santos, o grande destaque do ano foi o Porto de Paranaguá, no Paraná. O terminal se firmou como o maior corredor de exportação de proteína animal congelada do país, incluindo carnes bovina, suína e de frango. Apenas no segmento de carne bovina, Paranaguá registrou um crescimento impressionante de 46,5%, alcançando 1,2 milhão de toneladas embarcadas.

Esse avanço reflete uma estratégia clara de diversificação logística. Ao reduzir a concentração em um único porto, o país ganha resiliência, diminui custos e amplia sua capacidade de resposta a oscilações do mercado internacional.

Outro terminal que ganhou relevância foi o Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. Em 2025, o porto se consolidou como a terceira via estratégica para o setor, com alta de 20% nos embarques e um total de 180 mil toneladas movimentadas.


Logística ajuda a enfrentar barreiras comerciais

Além de sustentar o crescimento, a eficiência logística cumpriu outro papel fundamental: proteger a competitividade da carne brasileira diante de um ambiente externo mais hostil. Ao longo do ano, o setor enfrentou desafios como o aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos, o que poderia ter reduzido margens e desestimulado exportações.

No entanto, a agilidade nos embarques, aliada à redução de custos portuários, ajudou a compensar essas barreiras. Com isso, o Brasil conseguiu não apenas manter volumes, mas também ampliar receitas e abrir novos mercados.

Países do mundo árabe e da Ásia ganharam espaço como destinos estratégicos, diversificando ainda mais a pauta exportadora. Essa ampliação reduz a dependência de poucos compradores e fortalece a posição do país em negociações comerciais futuras.

Sob uma perspectiva mais estrutural, o caso de 2025 mostra como investimentos públicos e privados em infraestrutura podem gerar efeitos distributivos positivos. Ao melhorar portos e corredores logísticos, o país fortalece cadeias produtivas inteiras, do pequeno produtor ao exportador.

O recorde da carne bovina, portanto, não se resume a toneladas embarcadas ou bilhões faturados. Ele revela como planejamento, integração e infraestrutura pública podem transformar potencial produtivo em soberania econômica e protagonismo global.

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