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Portugal escolhe novo presidente, e socialista é favorito

Sondagens indicam vitória de António José Seguro na votação deste domingo sobre o líder de ultradireita André Ventura, que promete a “maior mudança do sistema político português” desde a Revolução dos Cravos. Os portugueses votam neste domingo (08/02) no segundo turno das eleições presidenciais, numa disputa que representa um referendo sobre a própria arquitetura democrática […]

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Rodrigo Antunes/Pedro Nunes/REUTERS

Sondagens indicam vitória de António José Seguro na votação deste domingo sobre o líder de ultradireita André Ventura, que promete a “maior mudança do sistema político português” desde a Revolução dos Cravos.

Os portugueses votam neste domingo (08/02) no segundo turno das eleições presidenciais, numa disputa que representa um referendo sobre a própria arquitetura democrática do país.

De um lado, o candidato António José Seguro, ex-ministro socialista que encarna a continuidade do regime democrático pós-Revolução dos Cravos. Do outro, André Ventura, líder do partido de ultradireita Chega, que promete uma ruptura radical com o sistema.

As pesquisas apontam para uma vantagem expressiva de Seguro, projetado para uma vitória confortável. Um levantamento do Cesop/Universidade Católica, divulgado na terça-feira, indica que, desconsiderando indecisos e votos inválidos, Seguro teria 67% dos votos, contra 33% de Ventura.

A campanha cristalizou a escolha entre dois projetos antagônicos.

Seguro posiciona-se como um candidato “suprapartidário” que busca aperfeiçoar muitas coisas” que não funcionam, mas que de forma alguma pretende mudar o regime. Defende o papel tradicional do presidente como árbitro e fiscalizador.

Já Ventura promete “a maior mudança no sistema político português desde 25 de abril de 1974”, data da revolução, atacando os partidos tradicionais e acenando com uma reestruturação profunda do poder.

Campanha em meio a inundações

A reta final da campanha foi drasticamente reconfigurada pelas severas tempestades e inundações que assolaram o país nas últimas duas semanas, causando pelo menos cinco mortes e danos generalizados.

Inundações causaram danos generalizados e provocaram mudanças nas campanhas eleitorais | Patricia De Melo Moreira/AFP

Ambos os candidatos redirecionaram suas agendas para as áreas mais afetadas, adaptando discursos e ações.

Seguro focou no diálogo com os afetados, afirmando que “o trabalho do presidente é ouvir os cidadãos”.

Ventura dedicou-se à distribuição de suprimentos e visitas a locais atingidos, utilizando a crise para criticar a resposta do governo de centro-direita do primeiro-ministro Luís Montenegro.

A votação foi adiada por uma semana em alguns municípios devido aos estragos. Um pedido de Ventura para postergar a eleição em todo o país foi rejeitado, com base na lei eleitoral que só permite adiamentos localizados.

Caminho para o segundo turno

Seguro venceu o primeiro turno em 18 de janeiro com 31,11% dos votos, contra 23,52% de Ventura. A pesquisa do Cesop sugere que o ex-ministro é o principal beneficiário da transferência de votos dos candidatos derrotados, recebendo amplo apoio dos eleitores de centro-direita que optaram por João Cotrim de Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo ou Luís Marques Mendes no primeiro turno.

Apoios

A candidatura de Seguro recebeu o endosso público dos demais presidenciáveis e de ex-presidentes da República, como Aníbal Cavaco Silva e António Ramalho Eanes. Ventura interpreta essa ampla convergência em torno do adversário não como um apoio a Seguro, mas como uma rejeição à sua figura “antissistema”.

Num debate marcado por acusações mútuas, Seguro acusou Ventura de almejar ser primeiro-ministro com poderes executivos, descaracterizando a presidência. Ventura retrucou, caracterizando o projeto do oponente como inerte, aspiracional a uma figura decorativa similar à “Rainha da Inglaterra”.

A eleição deste domingo definirá não apenas o sucessor do presidente Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém, mas o tom e os limites do debate político português para os próximos cinco anos, num teste de resiliência da democracia estabelecida há meio século.

Com informações do DW em 07/02/2026

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