Após inicialmente minimizar a polêmica sobre a representação do casal Obama como macacos, a Casa Branca afirmou que a publicação foi feita erroneamente por um funcionário
O ex-presidente Donald Trump reconheceu ter ordenado a publicação de um vídeo que retratava Barack e Michelle Obama como macacos, mas transferiu a responsabilidade pela ação a um assessor não identificado.
A manobra gerou especulações em seu círculo interno sobre quem, de fato, postou o conteúdo racista — com a suspeita recaindo sobre a assessora Natalie Harp.
O vídeo, rapidamente removido da conta de Trump no Truth Social na noite de quinta-feira, utilizava estereótipos raciais ao sobrepor os rostos do casal a corpos de macacos animados, dançando ao som de “The Lion Sleeps Tonight”.
A peça integrava uma sequência que promovia teorias conspiratórias sobre as eleições de 2020.
A bordo do Air Force One, Trump afirmou a jornalistas que havia revisado parcialmente o material — focado, segundo ele, em “fraude eleitoral” — e o entregou a um funcionário para publicação.
“Acho que alguém não leu tudo e postou. E aí nós apagamos”, disse, negando pedir desculpas ou demitir o responsável, já que “não cometeu nenhum erro”.
A versão contrasta com a explicação inicial da Casa Branca que primeiro defendeu o conteúdo e depois atribuiu o post a um “erro” de um membro da equipe.
A assessora de imprensa Karoline Leavitt havia minimizado a polêmica horas antes, descrevendo o vídeo como um conteúdo viral da internet que retrata o presidente Trump como o rei da selva e os democratas como personagens de O Rei Leão”.
“Por favor, parem com essa indignação falsa e noticiem hoje algo que realmente importe para o público americano”, disse.
Intriga interna sobre a autoria
Fontes próximas à equipe revelam que, além do próprio Trump, apenas dois assessores têm acesso direto à sua conta no Truth Social: Dan Scavino, agora chefe de gabinete, e Natalie Harp.
Colegas rapidamente descartaram Scavino — sobrecarregado com suas novas funções — e voltaram os olhos para Harp, de 35 anos, conhecida por seu papel central nas comunicações do ex-presidente.
Harp, apelidada de “Impressora Humana” por acompanhar Trump com uma impressora portátil para entregar-lhe tuítes e notícias impressos, é vista como leal e constantemente presente no Salão Oval. No entanto, sua atuação às margens da cadeia formal de comando e supostas falhas de bom senso — como uma mensagem agressiva enviada em 2024 à mega-doadora Miriam Adelson — já causaram atritos com outros assessores.
Apesar das críticas internas, Trump sempre rejeitou sugestões para demiti-la e a promoveu dentro da Casa Branca. Agora, assessores acreditam que ela provavelmente não sofrerá consequências pelo episódio.
Retirada rara e pressão republicana
A decisão de deletar o vídeo representou uma guinada incomum para Trump, que costuma dobrar a aposta em declarações polêmicas. A mudança ocorreu após uma ligação com o senador Tim Scott, único republicano negro no Senado e presidente do comitê nacional do partido, que classificou o conteúdo explicitamente como racista e exigiu sua remoção, segundo a CBS News.
A Casa Branca não se manifestou sobre as especulações envolvendo Harp ao final de um dia turbulento, que expôs mais uma vez as tensões entre a retórica inflamada de Trump e a tentativa de parte do establishment republicano de conter os danos políticos de suas postagens nas redes sociais.
O episódio reacendeu debates sobre o uso de imagens racistas na política norte-americana e a cultura de impunidade em torno das comunicações online de Trump, que segue moldando o tom da campanha para as eleições de 2026.
Com informações do The Guardian em 07/02/2026