António José Seguro foi eleito presidente de Portugal neste domingo (8), em uma disputa que acabou se tornando um freio claro ao avanço da extrema-direita no país. Aos 63 anos, o político de esquerda derrotou no segundo turno o deputado André Ventura, líder do partido Chega, em uma eleição marcada pela mobilização de diferentes campos políticos para impedir a chegada da ultradireita ao Palácio de Belém. A posse está marcada para 9 de março.
Ex-líder do Partido Socialista, Seguro construiu sua campanha com o discurso de estabilidade institucional e defesa da democracia, apresentando-se como uma “opção segura” em um momento de tensão política. O resultado consolidou uma vitória simbólica da esquerda portuguesa — e do centro democrático — diante de uma extrema-direita que vinha crescendo eleitoralmente nos últimos anos.
Seguro havia se afastado da linha de frente da política em 2014, após perder a liderança do PS para António Costa, então futuro primeiro-ministro. Retornou ao cenário político ao anunciar sua candidatura à Presidência em junho do ano passado, apostando em um perfil moderado, mas com trajetória ligada ao campo progressista e à social-democracia europeia.
Formado em Relações Internacionais pela Universidade Autónoma de Lisboa, Seguro é mestre em Ciência Política pelo ISCTE-IUL. Nos últimos anos, atuou como empresário nos setores de turismo, agricultura e produtos alimentares, mantendo presença no debate público, especialmente em temas ligados à democracia, União Europeia e combate ao extremismo político.
A eleição foi marcada por um apoio transversal raro em Portugal. Figuras conservadoras e de centro-direita, incluindo o ex-presidente Aníbal Cavaco Silva, ministros do atual governo e candidatos derrotados no primeiro turno, declararam voto em Seguro. O movimento foi interpretado como uma resposta direta ao discurso radical de Ventura e ao crescimento do Chega, partido frequentemente associado a pautas xenófobas, autoritárias e antissistêmicas.
Analistas apontam que o resultado reflete um cordão sanitário democrático semelhante ao observado em outros países europeus, onde forças de esquerda e centro se unem para barrar a extrema-direita. Em Portugal, a vitória de Seguro sinaliza que, apesar do avanço do Chega no Parlamento, ainda há uma maioria disposta a defender valores democráticos, pluralismo e direitos civis.