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Exclusivo! Brasil já responde por quase 5% da produção mundial de petróleo

Com produção recorde de 4,9 milhões de barris por dia, superávit de 25 bilhões de dólares, o país se firma entre as grandes potências petroleiras. O Brasil produziu em 2025 uma média de 4,897 milhões de barris de óleo equivalente por dia, somando petróleo e gás natural, o maior volume já registrado na história do […]

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DIvulgação

Com produção recorde de 4,9 milhões de barris por dia, superávit de 25 bilhões de dólares, o país se firma entre as grandes potências petroleiras.

O Brasil produziu em 2025 uma média de 4,897 milhões de barris de óleo equivalente por dia, somando petróleo e gás natural, o maior volume já registrado na história do país, segundo a Agência Nacional do Petróleo. Há dez anos, a extração era de 3,14 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

O salto acumulado é de 56%.

Desse total produzido no ano passado, 3,77 milhões de barris foram de petróleo cru e o restante correspondeu a gás natural, convertido em barris equivalentes.

A produção mundial de petróleo cru ficou em torno de 78 milhões de barris por dia em 2025, segundo a Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos, a EIA. Quando se somam outros líquidos combustíveis, como condensados, biocombustíveis e líquidos de gás natural, o total alcançou cerca de 105 milhões de barris por dia. O Brasil responde por aproximadamente 4,8% da produção mundial de petróleo cru.

Os Estados Unidos são o maior produtor mundial, com média de 13,6 milhões de barris por dia de petróleo cru em 2025, seguidos pela Rússia com 9,1 milhões e pela Arábia Saudita. A China produziu cerca de 4,2 milhões de barris diários em 2024, escala próxima da brasileira. A Venezuela, apesar de deter as maiores reservas provadas do planeta, produziu apenas 940 mil barris por dia.

O petróleo cru foi o principal produto de exportação do Brasil em 2025, com receita de 44,5 bilhões de dólares e volume de 98 milhões de toneladas, o dobro do que o país exportava dez anos atrás. A China absorveu 45% desse total, consolidando-se como maior compradora do bruto brasileiro, seguida pela Índia com 8% e pelos Estados Unidos com cerca de 7%, cuja participação caiu 26% em relação ao ano anterior após Washington redirecionar suas compras para a Venezuela.

O segundo maior produto de exportação do setor petroleiro brasileiro é o óleo combustível pesado, conhecido como fuel oil, usado sobretudo como combustível de navios de grande porte. As vendas externas de fuel oil renderam 7 bilhões de dólares em 2025, com volume de 15 milhões de toneladas, mais que o triplo dos 4,6 milhões de toneladas exportados dez anos antes. O Brasil exporta esse combustível praticamente sem contrapartida de importação.

Outra virada expressiva ocorreu no querosene de aviação. Até 2018, o Brasil importava quase todo o querosene que consumia, com déficit de 1,6 bilhão de dólares em 2013. A partir de 2019, o país passou a exportar mais do que importa, e em 2025 as vendas externas atingiram 2 bilhões de dólares contra importações de 930 milhões, gerando saldo positivo de 1,1 bilhão.

Na direção oposta, o diesel permanece como o grande gargalo. O Brasil importa mais de 20% de todo o diesel que consome, e em 2025 as compras externas do combustível somaram 9,5 bilhões de dólares, volume recorde de 14,4 milhões de toneladas. Em dez anos, a importação de diesel quase triplicou em quantidade, saltando de 5,9 milhões de toneladas em 2015 para os 14,4 milhões de 2025. A gasolina teve déficit menor, com importações de 1,6 bilhão de dólares contra exportações de 590 milhões, mas a fatia importada também cresceu, correspondendo a cerca de 10% do consumo nacional.

No conjunto do capítulo de petróleo, derivados, gás e carvão, as exportações brasileiras somaram 55,9 bilhões de dólares em 2025 e as importações ficaram em 30,5 bilhões, gerando superávit de 25,4 bilhões. Dez anos atrás, o país tinha déficit de 12,8 bilhões de dólares nesse mesmo capítulo. A virada para superávit aconteceu em 2018, pela primeira vez, com saldo positivo de 1,7 bilhão, e desde então o resultado melhorou a cada ano.

A participação do petróleo nas exportações totais do Brasil saltou de 5,9% em 2005 para 16% em 2025.

O petróleo bruto sozinho gerou saldo positivo de 37,9 bilhões de dólares para o Brasil, e o fuel oil acrescentou outros 6,9 bilhões. Do lado negativo, o diesel drenou 9,1 bilhões, o gás natural 2,6 bilhões, as naftas petroquímicas 2 bilhões, o carvão mineral 2,2 bilhões e a gasolina 1 bilhão. O país exporta matéria-prima e importa produto acabado.

A base dessa produção é o pré-sal, que respondeu por quase 80% do volume total em 2025, concentrado nas bacias de Santos e de Campos, no litoral do Sudeste. A Petrobras operou cerca de 90% da produção nacional, com destaque para os campos de Tupi, Búzios e Mero, perfurados a profundidades entre cinco e sete mil metros.

O estado do Rio de Janeiro concentra 87,8% de todo o petróleo extraído no país. O Espírito Santo assumiu a segunda posição em 2025, com 5,12%, ultrapassando São Paulo, que ficou com 4,89%.

A renda petroleira já constitui uma coluna dos orçamentos públicos brasileiros. Em 2024, a arrecadação de royalties e participações especiais atingiu 98 bilhões de reais, distribuídos entre União, estados e municípios, com o Rio de Janeiro recebendo a maior parcela.

As reservas provadas de petróleo do Brasil atingiram 16,8 bilhões de barris no fim de 2024, crescimento de 6% em relação ao ano anterior. O índice de reposição de reservas ficou em 176%, o que significa que o país descobriu quase o dobro do que produziu no período.

A dependência brasileira dos combustíveis fósseis, porém, vai além das receitas de exportação. O modal rodoviário responde por 65% do transporte de cargas e 95% do transporte de passageiros, segundo a CNT, empurrando o consumo de diesel e gasolina a patamares que o parque de refino não consegue atender sozinho. As termelétricas, acionadas em períodos de seca, também queimam derivados de petróleo e gás, acentuando a ligação entre o abastecimento energético e os combustíveis fósseis.

Nos primeiros anos do pré-sal, o governo planejava construir novas refinarias para eliminar o déficit de derivados e transformar o Brasil em exportador de combustíveis industrializados. A Operação Lava Jato paralisou esse plano: as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, em Itaboraí, foram suspensas em 2015, e o segundo módulo da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, ficou inacabado. O custo principal da suspensão ou cancelamento na construção de novas refinarias pode ser medido pelas dezenas de bilhões de dólares gastos com importação de diesel, e que poderia já estar sendo produzido domesticamente.

O governo Lula retomou os dois projetos. A Abreu e Lima concluiu em março de 2025 a modernização do primeiro módulo, elevando sua capacidade de 115 mil para 130 mil barris por dia, e a Petrobras assinou contratos de mais de 8,3 bilhões de reais para construir o segundo módulo, previsto para entrar em operação até 2029, quando a refinaria dobrará sua capacidade e se tornará a segunda maior da empresa. O antigo Comperj, rebatizado como Complexo de Energias Boaventura, inaugurou em 2024 a maior unidade de processamento de gás natural do país e recebeu investimentos de 13 bilhões de reais para construir unidades de produção de diesel, querosene de aviação e lubrificantes, integradas à Refinaria de Duque de Caxias.

Enquanto as novas unidades não ficam prontas, a Petrobras tem investido na ampliação e na modernização das refinarias existentes, elevando o fator de utilização acima de 90% ao longo de quase todo o ano de 2025. Mesmo assim, a capacidade instalada não acompanha o crescimento da demanda, e o Plano Decenal de Energia estima que o Brasil seguirá importando derivados pelos próximos dez anos.

Reduzir essa vulnerabilidade exige investimentos de longo prazo em ferrovias eletrificadas, energia solar, energia nuclear e micro-hidrelétricas, além da eletrificação progressiva da frota de veículos. São caminhos que podem, ao longo das próximas décadas, diminuir a exposição do país às oscilações do mercado petroleiro.

O comércio internacional de petróleo somou aproximadamente 2,7 trilhões de dólares em 2024, distribuídos entre petróleo bruto (1,31 trilhão), derivados refinados (890 bilhões) e gases, incluindo gás natural liquefeito e GLP. Os dez maiores exportadores concentraram mais de 83% do valor comercializado.

A transformação mais notável do mercado petroleiro nas últimas duas décadas ocorreu nos Estados Unidos. Em 2005, as importações americanas de petróleo atingiram o pico, e o déficit petroleiro do país chegou a 452 bilhões de dólares em 2008. A revolução do shale oil inverteu essa equação: em 2020, a economia americana se tornou exportadora líquida de petróleo pela primeira vez em décadas.

Nos doze meses encerrados em novembro de 2025, as exportações americanas no conjunto petróleo bruto, derivados e gases somaram cerca de 291 bilhões de dólares. Desse total, aproximadamente 101 bilhões corresponderam a petróleo cru, 110 bilhões a produtos refinados e 80 bilhões a gases. Os números colocam o país não apenas como grande exportador de bruto, mas também como um dos maiores fornecedores mundiais de combustíveis acabados, ao lado de Índia, Países Baixos, Singapura e Coreia do Sul.

No mesmo período, o superávit americano no setor petroleiro atingiu 90,6 bilhões de dólares. A liderança desses países no refino e na exportação de derivados não decorre de grandes reservas, mas da escala e da eficiência de seus parques industriais.

A oferta mundial superou a demanda por margem larga em 2025, e o Brent caiu de uma média de 80,5 dólares por barril em 2024 para 65 dólares. As projeções mais recentes da EIA apontam para a faixa de 51 a 52 dólares em 2026.

A guerra na Ucrânia redesenhou os fluxos entre a Rússia e a Europa. A Europa comprava mais de 54% de seu petróleo e gás da Rússia em 2015. Em 2024, essa fatia caiu para menos de 10%, e os fornecedores americanos saltaram de 6% para mais de 42% das importações europeias.

A China se consolidou como o maior importador líquido do planeta no setor, com déficit de 395 bilhões de dólares em 2025 e uma lista de fornecedores encabeçada por Rússia, Arábia Saudita e Brasil. O apetite chinês por petróleo é um dos vetores que sustentam a demanda global, mesmo num cenário de excesso de oferta.

A composição da demanda mundial por derivados está mudando. Até 2030, a Agência Internacional de Energia projeta que os insumos petroquímicos serão responsáveis pela maior parte da expansão do consumo, deslocando gasolina e diesel do centro da demanda para dar lugar a plásticos, fertilizantes, tecidos sintéticos e querosene de aviação.

A Venezuela possui 303 bilhões de barris de reservas provadas, a Arábia Saudita 267 bilhões, o Irã 208 bilhões, o Canadá 163 bilhões e a Rússia 107 bilhões, segundo a OPEP. O Brasil, com 16,8 bilhões de barris, ocupa uma posição intermediária nesse ranking.

A Margem Equatorial, que se estende por 360 mil quilômetros quadrados entre o Amapá e o Rio Grande do Norte, tem potencial estimado pela ANP em até 30 bilhões de barris. Se confirmado, esse volume praticamente triplicaria as reservas provadas do país.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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bandoleiro

09/02/2026 - 12h40

Na pratica è uma mixaria, se parasse de extrair petroleo nao mudaria nada globalmente.


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