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PF quebra criptografia de celular de Vorcaro e obtém dados centrais do caso Master

A Polícia Federal conseguiu acessar integralmente os dados do telefone celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, após submeter o aparelho a ferramentas especializadas de quebra de criptografia. O dispositivo, um iPhone de modelo recente, teve seu conteúdo desbloqueado mesmo depois de o banqueiro ter se recusado a fornecer a senha durante depoimento prestado […]

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REPRODUÇÃO

A Polícia Federal conseguiu acessar integralmente os dados do telefone celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, após submeter o aparelho a ferramentas especializadas de quebra de criptografia. O dispositivo, um iPhone de modelo recente, teve seu conteúdo desbloqueado mesmo depois de o banqueiro ter se recusado a fornecer a senha durante depoimento prestado às autoridades. As informações estão agora em fase de organização e devem ser compartilhadas com os órgãos responsáveis pelas apurações, segundo revelou o jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil.

O acesso ao aparelho é considerado um avanço relevante nas investigações que envolvem o Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central no fim de 2025, em meio a suspeitas de fraudes financeiras, irregularidades contábeis e tentativas de pressão política para evitar a intervenção regulatória.

Ferramentas especializadas romperam dupla camada de segurança

De acordo com informações apuradas, o telefone de Vorcaro não contava apenas com a criptografia padrão adotada pela Apple, mas também com uma camada adicional de proteção. Isso exigiu da Polícia Federal o uso de softwares avançados, capazes não apenas de romper sistemas de segurança reforçados, como também de recuperar dados apagados pelo usuário.

Nos últimos meses, a Polícia Federal passou a utilizar novas ferramentas tecnológicas desenvolvidas especificamente para acessar dispositivos móveis de última geração. Esses sistemas vêm sendo empregados sobretudo em investigações complexas, nas quais a análise de mensagens, arquivos, registros de chamadas, e-mails e outros dados digitais é considerada essencial para a reconstituição de fatos e da dinâmica de eventuais crimes.

Segundo investigadores, a perícia técnica aplicada ao celular de Vorcaro permitiu um acesso mais amplo ao conteúdo armazenado, o que pode incluir conversas em aplicativos de mensagens, documentos, imagens, registros financeiros e históricos de contatos. Parte desse material pode ter sido apagada antes da apreensão do aparelho, mas ainda assim recuperada por meio dos recursos utilizados.

Conteúdo será enviado ao STF, PGR e à CPMI do INSS

O material extraído do celular será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), que acompanham o inquérito em razão da existência de possíveis citações a autoridades com foro por prerrogativa de função.

Além disso, o ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo, deve autorizar o compartilhamento dos dados com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, instalada no Congresso Nacional para apurar suspeitas de irregularidades envolvendo instituições financeiras, fundos e operações de crédito consignado.

A expectativa de integrantes da CPMI é que as informações obtidas no telefone tragam elementos que ajudem a esclarecer a atuação do Banco Master, as conexões empresariais e políticas de seu controlador e os fluxos financeiros sob investigação.

Depoimento à CPMI está previsto para após o carnaval

Daniel Vorcaro está previsto para prestar depoimento à CPMI do INSS no dia 19, após o feriado de carnaval. A oitiva é considerada uma das mais aguardadas pelos integrantes da comissão, especialmente após a quebra da criptografia do celular.

A defesa do banqueiro, no entanto, já indicou que pretende adotar uma postura cautelosa durante o depoimento, restringindo o alcance das respostas e delimitando os temas sobre os quais Vorcaro se manifestará. Advogados avaliam que o conteúdo do celular pode influenciar diretamente a estratégia de defesa, tanto no âmbito judicial quanto no político-parlamentar.

Suspeitas vão além das fraudes financeiras

A investigação conduzida pela Polícia Federal não se limita às suspeitas de fraudes financeiras e irregularidades na gestão do Banco Master. Um dos focos centrais do inquérito é apurar se Daniel Vorcaro teria pressionado autoridades públicas e reguladores com o objetivo de evitar a liquidação da instituição.

Há suspeitas de que o empresário tenha tentado mobilizar relações políticas para interferir em decisões do Banco Central, especialmente durante o período em que o BRB (Banco de Brasília) avaliava a compra de parte do Banco Master — operação que acabou vetada pela autoridade monetária.

Mensagens e registros extraídos do celular podem ajudar a esclarecer se houve tentativas de influência indevida, articulações com agentes públicos ou tratativas paralelas que não constavam nos processos formais analisados pelos reguladores.

Recusa em fornecer senha agravou relevância da perícia

Durante depoimento à Polícia Federal, Vorcaro se recusou a fornecer a senha do aparelho, alegando o direito de não produzir provas contra si. Embora a recusa seja legalmente permitida, investigadores avaliam que a posterior quebra da criptografia torna a perícia ainda mais relevante, por eliminar qualquer controle do investigado sobre o que poderia ou não ser acessado.

A possibilidade de recuperação de dados apagados também amplia o alcance da investigação, permitindo verificar se houve tentativa de ocultação de informações antes da apreensão do telefone.

Caso segue sob sigilo parcial

Apesar do avanço técnico, o inquérito segue sob sigilo parcial. Apenas trechos específicos foram tornados públicos por decisão do ministro Dias Toffoli, enquanto a maior parte do material permanece restrita às autoridades envolvidas.

A expectativa é que, após a análise inicial dos dados do celular, a Polícia Federal elabore relatórios complementares, que poderão embasar novos pedidos de diligências, oitivas, quebras de sigilo ou até eventuais denúncias por parte da PGR.

O acesso ao conteúdo do telefone de Daniel Vorcaro é visto por investigadores como um ponto de inflexão no caso. A partir dele, a apuração sobre o Banco Master entra em uma nova fase, com potencial de revelar não apenas a dimensão financeira do esquema investigado, mas também suas eventuais ramificações políticas e institucionais.

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