Conservador Partido Liberal Democrata, liderado pela primeira-ministra, conquista dois terços dos assentos na câmara baixa do Parlamento.
O Partido Liberal Democrático (PLD), liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, obteve uma vitória esmagadora nas eleições antecipadas realizadas neste domingo (08/02) no Japão.
De acordo com a emissora pública NHK, o PLD conquistou sozinho 316 das 465 cadeiras da Câmara Baixa do Parlamento, a câmara mais poderosa do sistema legislativo japonês.
A vitória confere ao PLD — que governa o país quase ininterruptamente há décadas — uma maioria de dois terços, um marco inédito desde a criação do Parlamento em 1947. O resultado fortalece significativamente a posição da premiê, que agora terá ampla autonomia para implementar sua agenda conservadora sem depender de negociações parlamentares, mesmo diante de eventuais resistências na Câmara Alta.
Coalizão ampliada e cenário político reconfigurado
Somando os 36 assentos conquistados pelo aliado Partido da Inovação do Japão (Ishin), a coalizão de governo atinge um total de 352 cadeiras, consolidando uma base parlamentar robusta para o governo Takaichi. A primeira-ministra havia antecipado as eleições justamente para ampliar a estreita maioria com que assumiu o poder em outubro, após suceder Shigeru Ishiba na liderança do PLD.
Do outro lado, a oposição saiu enfraquecida. A Aliança Reformista Centrista, formada pelo Partido Democrático Constitucional e pelo budista Komeito (ex-aliado do PLD), elegeu apenas 49 parlamentares, queda expressiva em relação às 172 cadeiras que detinha anteriormente.
Avanço da ultradireita
A legenda populista e anti-imigração Sanseito também ampliou sua bancada, indo de 2 para 15 assentos. Seu líder, Sohei Kamiya, admitiu à NHK que o partido “recebeu um grande impulso”, mas ressaltou que o desempenho poderia ter sido maior não fosse a força avassaladora do PLD.
O pleito foi marcado por fortes nevascas em várias regiões, o que atrasou ou interrompeu a votação em alguns locais, ainda que a participação pelo voto antecipado tenha superado a de eleições anteriores.
A primeira-ministra, que desde sua posse em outubro mantém altos índices de popularidade, apresentou as eleições como um referendo sobre seu mandato. Ela chegou a declarar que renunciaria caso sua coalizão não alcançasse a maioria absoluta de 233 assentos — meta amplamente superada.
Com informações do DW em 09/02/2026