A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, consolidou seu poder neste domingo (8) ao conduzir o Partido Liberal Democrático (PLD) a uma vitória ampla nas eleições antecipadas para a Câmara Baixa. A aposta de dissolver o Parlamento e submeter seu governo ao voto popular resultou em uma maioria inédita desde o pós-Segunda Guerra Mundial, segundo projeções da emissora pública NHK.
O PLD, em coalizão com o Partido da Inovação do Japão, conquistou 352 das 465 cadeiras da Câmara Baixa. Sozinho, o partido de Takaichi deve ultrapassar 310 assentos, garantindo maioria de dois terços e controle confortável da agenda legislativa, incluindo a presidência de todas as comissões da Casa. O principal bloco de oposição, a Aliança Reformista Centrista, sofreu forte derrota e perdeu mais de 100 cadeiras.
Eleita primeira-ministra há menos de quatro meses, Takaichi transformou o pleito em um referendo sobre sua liderança. Em entrevista à NHK após a divulgação dos resultados, agradeceu aos eleitores pelo comparecimento às urnas e afirmou que buscava um mandato claro para implementar uma política fiscal “responsável e proativa”, com mudanças significativas na condução econômica do país.
A vitória fortalece a agenda defendida pela primeira mulher a chefiar o governo japonês, que inclui cortes de impostos, expansão fiscal e aumento dos gastos militares, em um contexto de tensões regionais e de contenção à China. As propostas econômicas, especialmente a flexibilização fiscal, vinham gerando apreensão nos mercados financeiros, preocupados com o impacto sobre a dívida pública japonesa.
Takaichi assumiu o cargo após a renúncia de Shigeru Ishiba, em meio a derrotas eleitorais e a um escândalo de uso indevido de fundos políticos que enfraqueceu o PLD. Ao antecipar as eleições, buscou capitalizar seus altos índices de aprovação pessoal e renovar a legitimidade do partido — objetivo que foi alcançado com folga.
De perfil conservador e considerada uma linha-dura dentro do PLD, Takaichi mantém uma relação próxima com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declarou apoio público à primeira-ministra durante a campanha. Em publicações recentes, ela destacou a centralidade da aliança entre Tóquio e Washington e indicou que deve se reunir com Trump em março. A proximidade também remete à relação do republicano com Shinzo Abe, ex-premiê japonês e mentor político de Takaichi, assassinado em 2022.
Com o novo mandato, a primeira-ministra terá base parlamentar para enfrentar desafios estruturais do país, como o envelhecimento acelerado da população, o aumento do custo de vida, a desvalorização do iene e o deterioramento das relações com a China. Declarações recentes de Takaichi sobre Taiwan — ao afirmar que um eventual ataque chinês à ilha poderia levar a uma resposta militar japonesa — já provocaram retaliações diplomáticas e comerciais de Pequim.